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Autoridades elevaram no domingo à noite para 515 o número de casos de Ébola confirmados, incluindo 91 mortes.
A União Europeia (UE) anunciou a atribuição de cinco milhões de euros adicionais para a resposta à epidemia de Ébola no leste da República Democrática do Congo (RDCongo) e classificou o cessar-fogo do conflito na região de "emergência sanitária".
"A UE mobiliza cinco milhões de euros adicionais, além dos 84 milhões de euros já atribuídos em resposta a esta crise, para apoiar as infraestruturas de saúde e a investigação", escreveu a comissária europeia de Gestão de Crises, Hadja Lahbib, na rede social X no final do dia de domingo, durante a sua visita à cidade de Bunia, epicentro do surto na província de Ituri.
"Não venho de mãos vazias, venho com 5 milhões adicionais [de euros] para criar centros regionais de diagnóstico nas províncias mais afetadas, de forma a realizar testes mais rápidos e fiáveis onde são mais necessários", explicou Lahbib no domingo à noite numa conferência de imprensa.
A comissária, que também viajou para o leste da RDCongo em fevereiro passado, afirmou que já naquela altura "devido às condições sanitárias, a um sistema de saúde no limite das suas capacidades, a uma população exausta, a uma população constantemente deslocada pelos combates" estavam todos os ingredientes reunidos para que a "epidemia ressurgisse mais uma vez".
Perante o conflito provocado pelos numerosos grupos armados que operam na zona, incluindo o Movimento 23 de Março (M23), Lahbib afirmou: "Se em fevereiro um cessar-fogo era uma necessidade política, agora é uma emergência sanitária".
A comissária anunciou que está previsto que cinco novos voos aterrem em Bunia com equipamento de resposta à epidemia, depois do envio há duas semanas de cerca de 100 toneladas de suprimentos com apoio da União Europeia e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da chegada no domingo de outro voo.
As autoridades da RDCongo elevaram no domingo à noite para 515 o número de casos de Ébola confirmados, incluindo 91 mortes.
A OMS declarou em 15 de maio a epidemia de Ébola no leste da RDCongo, considerando que o epicentro está em Ituri, província fronteiriça com o Sudão do Sul e Uganda.
O Ébola posteriormente espalhou-se, também, para as províncias orientais congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul e expandiu-se igualmente para Uganda, onde até agora foram detetados 19 contágios, incluindo 14 casos considerados importados da RDCongo, entre os quais se registaram duas mortes.
A RDCongo, nação vizinha de Angola, é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
A epidemia, declarada em 15 de maio, corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual ainda não existe vacina, e cuja taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%, segundo a OMS, que considera o risco da epidemia na África subsaariana como "alto" e a nível global como "baixo".
O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.
Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pela epidemia atual, as diretrizes de contenção assentam essencialmente no cumprimento das medidas de barreira e na deteção rápida dos casos.
Em 01 de junho, a OMS e o Governo da RDCongo anunciaram que estão a trabalhar em conjunto para conseguir uma vacina contra a estirpe da atual epidemia de Ébola.
Também a agência de saúde pública da União Africana, Africa CDC, assegurou no final de maio, que terá uma vacina contra estirpe Bundibugyo disponível este ano.
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