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UE perdeu 300 mil milhões de euros desde 2021 por falta de acordo com o Mercosul

UE e o Mercosul assinaram o acordo de livre comércio em Assunção, a capital do Paraguai, em 17 de janeiro, após mais de 20 anos de negociações.

20 de fevereiro de 2026 às 18:30

O comissário europeu para o Comércio afirmou esta sexta-feira que a União Europeia perdeu 300 mil milhões de euros desde 2021 por não ter um acordo comercial com o Mercosul, defendendo que no mundo atual "não se pode perder tempo".

Em conferência de imprensa no final de uma reunião informal dos ministros da União Europeia (UE) com a tutela do comércio, em Nicósia, Maros Sefcovic defendeu que, no atual contexto internacional, o bloco precisa de ser rápido a ratificar acordos comerciais.

"Perdemos quase 300 mil milhões de euros por não termos um acordo com o Mercosul desde 2021", afirmou, alegando que o bloco perdeu "mais de 200 mil milhões em termos de oportunidades de exportação".

O comissário considerou que estes dados mostram que, "no mundo atual, não se pode perder tempo" e afirmou que, quando se chega a um acordo comercial entre duas partes, após "anos de negociação", não é aceitável que a ratificação possa também demorar anos.

"Quando chegamos a acordo e começa a haver uma vontade de investir, exportar, estabelecer empresas, e depois nós dizemos 'isso é possível daqui a dois, dois anos e meio'... Acho que não podemos funcionar desta maneira no atual contexto", defendeu.

Maros Sefcovic deu este exemplo para defender uma proposta para que, de forma a acelerar a implementação de acordos comerciais, estes deixem de ter ser obrigatoriamente traduzidos para as 24 línguas da UE antes de começar o processo de ratificação, bastando a versão em inglês.

"E tenho o prazer de indicar que, quando apresentei esta proposta, houve um acordo bastante alargado à volta da mesa. Ninguém se manifestou contra", referiu, manifestando-se otimista quanto à sua potencial aprovação, e salientando que os acordos comerciais continuariam a ser traduzidos para as 24 línguas quando fossem publicados no Jornal Oficial da UE.

Entre os acordos comerciais que pediu que sejam rapidamente ratificados pelas instituições europeias, Sefcovic destacou o acordo com a Índia, alcançado em 27 de janeiro.

"Falámos com os ministros sobre como é que podemos acelerar o processo de ratificação e é bastante claro que vamos ter de pensar 'fora da caixa'. E o mesmo se aplica à Indonésia, visto que concluímos as negociações em setembro", referiu.

A UE e o Mercosul assinaram o acordo de livre comércio em Assunção, a capital do Paraguai, em 17 de janeiro, após mais de 20 anos de negociações.

No entanto, em 21 de janeiro, o Parlamento Europeu aprovou o envio do acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), para certificar que não colide com os tratados comunitários em vigor, o que pode suspender a sua ratificação caso a Comissão Europeia não decida avançar com a sua aplicação provisória.

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