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Correio da Manhã

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Uma guerra inacabada

A invasão do Iraque foi iniciada há quatro anos sob o lema da ‘Libertação’. A par das alegadas armas de destruição massiva de Saddam Hussein, que era urgente anular, o objectivo declarado da operação era criar no país uma democracia estável, capaz de alastrar, como uma maré, a outros países do Golfo Pérsico. Seis semanas após o início da guerra, Bush deu por terminadas as operações numa cerimónia coroada por uma frase: “Missão Cumprida.” Mas do sonho à realidade a distância é abissal: o fim da ‘missão’ não se vislumbra, pois o Iraque é hoje um país arrasado, dividido ao longo de linhas sectárias e étnicas, e o exemplo que a região imita é a revolta e não a estabilidade política sob a bandeira da liberdade.
19 de Março de 2007 às 00:00
Uma guerra inacabada
Uma guerra inacabada FOTO: Mohammed Jalil, Epa
Para lá da derrota no terreno, a guerra marca para a administração do presidente George W. Bush outras, a nível externo e interno: a imagem dos EUA como bastião de liberdade e justiça foi deitada por terra pelos escândalos de tortura em Abu Ghraib e pelo desrespeito dos direitos dos suspeitos de terrorismo; a nível interno, o aumento das baixas norte-americanas, que já superam os 3200 mortos, determinou a derrota dos Republicanos nas eleições para o Congresso, no final de 2006. Após o cartão amarelo dos eleitores a Bush (que de uma taxa de apoio de 90%, em 2001, passou aos 30%, em 2007) o Partido Democrata, agora maioritário, aumentou a pressão sobre o presidente, exigindo-lhe o início da retirada das tropas dentro de um ano e ameaçando congelar o financiamento da guerra.
Donald Rumsfeld, secretário da Defesa e arquitecto da invasão, foi a primeira vítima de uma reforma na administração que custou ainda a demissão de John Bolton, embaixador na ONU, e levou à nomeação de novas chefias militares.
Bush permanecerá até 2008, mas fortemente desacreditado, e tendo pela frente a dura tarefa de ‘domesticar’ o Irão, principal beneficiário do fim da era Saddam, que persiste em ignorar pressões para abandonar o programa nuclear, estando a tornar-se uma ameaça à paz no Mundo bem mais real do que o Iraque era em 2003.
BUSH SOBRE O IRAQUE
"Os principais combates terminaram. Na batalha pelo Iraque, os EUA e os aliados prevaleceram." 1 de Maio de 2003
"Espero que as pessoas não pensem que a violência vai acabar subitamente." 14 de Junho de 2006
"Tenho a obrigação de o dizer de forma frontal [...], estamos a ganhar." 25 de Outubro de 2006
"Não estamos a ganhar nem a perder." 19 de Dezembro de 2006
"A luta no Iraque pode ser dura, mas este não deveria ser um tempo para desesperar." 6 de Março de 2007
À MARGEM
VIDA MELHOR
A maioria dos iraquianos diz viver melhor agora do que sob Saddam Hussein, revela uma sondagem britânica ontem publicada.
PESSIMISMO
Uma sondagem revela que hoje apenas 35% dos americanos confiam numa vitória no Iraque, contra 83% de optimistas em 2003.
SUCESSO
O general David Petraeus afirma que a nova estratégia de segurança no Iraque está a funcionar, opinião partilhada pelo secretário Robert Gates.
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