"Esperamos conseguir chegar a acordo sobre uma lista [de sanções] a 250 pessoas e entidades", referiu Kaja Kallas.
A União Europeia deverá esta segunda-feira aprovar novas sanções a 250 pessoas e entidades russas, indicou a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, mas ainda não chegou a consenso sobre o 21.º pacote de medidas restritivas contra Moscovo.
"Esperamos conseguir chegar a acordo sobre uma lista [de sanções] a 250 pessoas e entidades. Este é o maior número de sanções [em simultâneo] que alguma vez aprovámos. Trata-se também de uma resposta aos recentes ataques da Rússia contra civis", afirmou Kaja Kallas em declarações aos jornalistas à entrada para a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), que se realiza hoje em Bruxelas.
Kallas salientou, contudo, que os governos dos 27 Estados-membros ainda não chegaram a acordo quanto ao 21.º pacote de sanções contra a Rússia, que a atual presidência irlandesa do Conselho da União Europeia (UE) queria 'fechar' na primeira quinzena de julho.
"Ainda existem algumas questões em aberto, mas estamos a trabalhar no sentido de alcançar um acordo", referiu Kallas.
Para este pacote ser aprovado, é necessária unanimidade dos Estados-membros, o que tem sido difícil de alcançar porque algumas das medidas que constam da proposta inicial da Comissão Europeia, apresentada em junho, têm encontrado resistência, como a proibição de entrada na UE de qualquer russo que tenha combatido na guerra na Ucrânia, restrições a importações de pesca ou ainda a imposição de sanções a personalidades de relevo, como o patriarca de Moscovo Cirilo.
Além da discussão sobre a guerra na Ucrânia, os ministros vão voltar também a discutir se impõem restrições ao comércio com os colonatos ilegais na Cisjordânia, após a Comissão Europeia ter apresentado na semana passada três opções sobre como é que podem fazê-lo, apesar de não ser esperada hoje qualquer decisão final sobre a matéria.
As três opções em cima da mesa são: imposição de tarifas, proibição total de comércio ou um sistema de licenciamento das importações, através do qual os bens provenientes de colonatos precisariam de uma autorização especial para poderem ser exportados para a UE.
Perante os jornalistas, Kaja Kallas frisou que a discussão visa perceber se "os Estados-membros estão verdadeiramente dispostos a que uma dessas medidas seja concretizada pela Comissão", aludindo ao facto de, até ao momento, ainda não se ter chegado a consenso sobre a matéria.
"Tem havido muitos apelos e pedidos por parte dos Estados-membros no sentido de proibir o comércio com os colonatos ilegais. Resta agora saber se as opções apresentadas darão um impulso mais forte e se levarão alguns deles a mudar de posição quanto à necessidade de avançar por esta via", referiu.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança frisou que "todos concordam que a situação na Cisjordânia é verdadeiramente intolerável" e todos apoiam a solução dos dois Estados.
"O que está a acontecer na Cisjordânia está, na prática, a inviabilizar cada vez mais a concretização dessa solução de dois Estados", advertiu, salientando ainda que o Conselho da UE considera que restrições ao comércio com os colonatos só precisam de ser aprovadas por maioria qualificada -- ao contrário da Comissão, que sugeriu que uma decisão com esta importância política e diplomática deveria ser adotada por unanimidade.
Outra das matérias que será hoje abordada é a guerra no Irão, após terem sido retomadas as hostilidades na semana passada, com Kaja Kallas a frisar que os ministros vão discutir que mensagens é que a UE "pode enviar para garantir que o Estreito de Ormuz é reaberto e que a liberdade de navegação é respeitada, sem taxas".
Neste âmbito, a chefe da diplomacia da UE referiu que os ministros dos Negócios Estrangeiros vão ter hoje um almoço de trabalho com os seus parceiros na região do Golfo Pérsico, frisando que partilham a mesma visão sobre a guerra no Irão.
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