Indígena vive em plena solidão há 22 anos, altura em que um ataque matou os membros da sua tribo.
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A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) - órgão do governo brasileiro que se encarrega dos assuntos relacionados com os índigenas daquele país - divulgou um vídeo que mostra um homem, seminu e completamente sozinho, a cortar árvores com um machado na Floresta da Amazónia, no Brasil.
As imagens foram filmadas por um membro da FUNAI, durante uma expedição àquele local, onde se registaram pelo menos 27 grupos tribais, que vivem longe da civilização, tal qual os seus antepassados índios.
No entanto, este vídeo filmado à distância tem uma particularidade no mínimo curiosa: o protagonista que surge na câmara é um homem que vive sozinho na floresta da Amazónia há pelo menos 22 anos, depois de todos os membros da tribo a que pertencia terem morrido durante um ataque de fazendeiros em 1995. Sobrevive só e por isso foi apelidado do "homem mais solitário do mundo".
Apesar de já ter sido alvo de vários estudos e reportagens, sabe-se muito pouco sobre este homem. A tribo à qual pertencia nunca foi identificada e desconhece-se o idioma que utilizavam. O indíviduo nunca terá tido contacto com um estranho à sua cultura.
Estima-se que terá cerca de 50 anos e que vive nas cabanas que constrói para si mesmo. Foi apelidado pelos agentes do FUNAI como o "Índio do Buraco", uma vez que tem o hábito de escavar um buraco com cerca de dois metros de comprimento no centro de todas as suas cabanas. Não se sabe qual será a utilidade desta prática, mas crê-se que possa ter algum fim de autodefesa ou que esteja relacionado com um ritual sagrado.
O "homem mais solitário do mundo" caça com flechas de bambus e constrói armadilhas para apanhar animais selvagens. Colhe frutos silvestres e mel e produz ainda alguns alimentos em pequenas hortas. Apesar de já terem tentado manter contacto com ele, os membros do FUNAI não têm sido bem sucedidos. Em 2005, o "índio do buraco" atingiu um agente com uma flecha quando este se tentou aproximar da sua cabana, perfurando-lhe um pulmão.
Agora, a Fundação Nacional do Índio decidiu divulgar as imagens para provar que este ainda está vivo, de modo a conseguirem renovar a ordem de restrição na área em que ele habita, no estado brasileiro da Rôndonia. A zona em questão é cercada por várias fazendas, no entanto, enquanto esta ordem de restrição vigorar, os terrenos em que este habita estão protegidos pela lei.
Até hoje, o homem só tinha sido captado em imagens no ano de 1998, numa fotografia que vigorou do documentário "Corumbiara". Assim, os ativistas brasileiros mostaram-se satisfeitos por perceber que o índigena ainda se encontrava vivo e aparentemente, de boa saúde.
Acredita-se que a grande maioria da sua tribo tenha sido dizimada nas décadas de 70 e 80 do século passado depois de uma estrada ter sido construída nas proximidades do seu habitat. Hoje em dia, ainda são muitos os fazendeiros e os empresários madeireiros que cobiçam as suas terras.
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