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“Vimos a morte à nossa frente”

Polícia salva bebé de ficar esmagada debaixo do camião.

17 de julho de 2016 às 01:45

Bebé filha de emigrante português salva em Nice

"Vimos a morte à nossa frente. Não acredito que ia perdendo a minha bebé". Pedro Gonçalves Simões ainda está em choque. A filha deste emigrante, que vive há 18 anos em Nice, estava no Passeio dos Ingleses no momento em que o terrorista lançou o camião contra quem assistia às comemorações do Dia de França, ferindo e matando dezenas de pessoas. A bebé, Chiara Marieni, de dois anos e meio foi salva por um agente da polícia.

"A minha mulher saiu com a minha família e ligou-me às onze horas aos gritos. Ela e a minha filha estiveram a poucos metros do camião. Foi um polícia que as agarrou e as puxou". Pedro Simões, de 26 anos, não tem palavras para agradecer o gesto do agente. "Só gostava de o encontrar e dizer-lhe obrigado.

Não perdi a minha filha e a minha mulher graças a ele", confidenciou ao CM. A mulher de Pedro Simões, Yanei Marieni, de 21 anos, viveu momentos de pânico e horror. Imagens que, garante, não vai conseguir esquecer. "Vi sangue por todo o lado, corpos no chão e eu só pensei em tirar a minha filha dali".

Yanei deixou o carrinho de bebé na rua e, depois de ser salva pelo polícia, não parou de correr. "Não percebo como alguém é capaz de cometer um massacre destes. Nunca vou entender. Ele não olhava para ninguém. Passava por cima das pessoas", diz Yanei Marieni.

O autor do ataque vivia num bairro próximo de Pedro Simões. "Quem o conhece não percebe como foi capaz de fazer uma coisa destas. Só de pensar que podia ter perdido a minha menina", conta Pedro Simões, que teme novos atentados. "A minha mulher não quer sair de casa e a minha filha teve horas sem parar de chorar".

O emigrante trabalha num restaurante em Nice, mas face aos atentados já pondera deixar França. "Não me sinto seguro aqui, não sinto que a minha bebé esteja segura. Isto está cada vez pior."

No ataque morreram mais de 80 pessoas, entre as quais 10 crianças. Há, ainda, 50 feridos em estado grave.

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