Presidente da Comissão Europeia elencou um vasto conjunto de iniciativas europeias que mostram esse investimento.
A presidente da Comissão Europeia afirmou, esta terça-feira, que a União Europeia está a "aumentar massivamente" as verbas destinadas à Defesa, mas avisou que espera obter um "retorno desse investimento" e garantir que cria emprego.
Num debate com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, no Fórum da Indústria, que está a decorrer à margem da cimeira dos chefes de Estado e de Governo da Aliança, em Ancara, Von der Leyen afirmou que a União Europeia (UE) está a "aumentar massivamente" o seu investimento em Defesa.
A presidente da Comissão Europeia elencou um vasto conjunto de iniciativas europeias que mostram esse investimento, como o plano ReArm Europe, que irá mobilizar "até 800 mil milhões de euros até 2030", ou o SAFE, programa de empréstimos até 150 mil milhões de euros.
No que se refere ao SAFE, Von der Leyen destacou que o programa está "aberto aos outros parceiros" da UE, referindo que o empréstimo poderá servir para adquirir até 35% de componentes de fora do bloco, "mas claro que 65% têm de vir da UE".
"E esse é o ponto: trata-se de reforçar a base industrial de Defesa, porque, com este dinheiro dos contribuintes, queremos, naturalmente, obter um retorno do investimento. Queremos também criar bons empregos na Europa. Queremos que a investigação e o desenvolvimento sejam feitos na Europa. Isso é importante para nós", disse.
Von der Leyen disse que a UE está comprometida em manter-se "totalmente alinhada" com os objetivos da NATO, salientando que o bloco e a Aliança partilham "os mesmos interesses e os mesmos valores".
Após ouvir estas palavras de Von der Leyen, Mark Rutte defendeu que a prioridade da NATO deve ser garantir que a "base industrial na Europa, no Canadá e nos Estados Unidos produz mais".
"E estamos a fazer progressos. Na Europa, vemos mais linhas de produção, mais fábricas a abrir, e isso é importante porque a Rússia agora tem uma economia de guerra -- a indústria automóvel russa está a contribuir para o esforço de guerra -- e isso significa que nós também temos de fazer o mesmo na Europa, no Canadá e nos Estados Unidos", referiu.
O secretário-geral da NATO elogiou os esforços que têm sido feitos pelos europeus, afirmando que se está a assistir a uma "transformação sem paralelos desde o fim da Guerra Fria, em que a Europa está a assumir muito mais responsabilidade pela defesa convencional da Aliança no território europeu".
"Trata-se de uma NATO transformada, em que os Estados Unidos têm um parceiro forte na Europa, muito mais forte do que há apenas quatro ou cinco anos. Assim, toda a NATO fica mais forte. Como disse o ministro de Defesa alemão no outro dia, para mantermos a dimensão transatlântica da Aliança, temos de nos tornar mais europeus. É exatamente isso que está a acontecer", saudou.
A cimeira da NATO arrancou, esta terça-feira, em Ancara, capital da Turquia, com foco no reforço do investimento em Defesa, nomeadamente dos aliados europeus face a um recuo dos Estados Unidos (EUA), e no apoio à Ucrânia.
De acordo com a agenda oficial da cimeira de chefes de Estado e de Governo dos 32 Estados-membros da Aliança Atlântica, que vai decorrer até quarta-feira no Palácio Presidencial de Ancara, vão ser discutidos três assuntos: o investimento em Defesa, o reforço da produção industrial e o apoio à Ucrânia.
A reunião decorre numa altura de tensão entre a Europa e os EUA, com a administração norte-americana liderada pelo republicano Donald Trump a recuar no seu investimento no âmbito da Aliança Atlântica, inclusive com a retirada de tropas do território europeu, argumentando que cabe aos aliados europeus um maior papel na defesa do chamado "velho continente".
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