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Von der Leyen avisa que União Europeia espera obter retorno de investimento em Defesa

Presidente da Comissão Europeia elencou um vasto conjunto de iniciativas europeias que mostram esse investimento.

07 de julho de 2026 às 14:13

A presidente da Comissão Europeia afirmou, esta terça-feira, que a União Europeia está a "aumentar massivamente" as verbas destinadas à Defesa, mas avisou que espera obter um "retorno desse investimento" e garantir que cria emprego.

Num debate com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, no Fórum da Indústria, que está a decorrer à margem da cimeira dos chefes de Estado e de Governo da Aliança, em Ancara, Von der Leyen afirmou que a União Europeia (UE) está a "aumentar massivamente" o seu investimento em Defesa.

A presidente da Comissão Europeia elencou um vasto conjunto de iniciativas europeias que mostram esse investimento, como o plano ReArm Europe, que irá mobilizar "até 800 mil milhões de euros até 2030", ou o SAFE, programa de empréstimos até 150 mil milhões de euros.

No que se refere ao SAFE, Von der Leyen destacou que o programa está "aberto aos outros parceiros" da UE, referindo que o empréstimo poderá servir para adquirir até 35% de componentes de fora do bloco, "mas claro que 65% têm de vir da UE".

"E esse é o ponto: trata-se de reforçar a base industrial de Defesa, porque, com este dinheiro dos contribuintes, queremos, naturalmente, obter um retorno do investimento. Queremos também criar bons empregos na Europa. Queremos que a investigação e o desenvolvimento sejam feitos na Europa. Isso é importante para nós", disse.

Von der Leyen disse que a UE está comprometida em manter-se "totalmente alinhada" com os objetivos da NATO, salientando que o bloco e a Aliança partilham "os mesmos interesses e os mesmos valores".

Após ouvir estas palavras de Von der Leyen, Mark Rutte defendeu que a prioridade da NATO deve ser garantir que a "base industrial na Europa, no Canadá e nos Estados Unidos produz mais".

"E estamos a fazer progressos. Na Europa, vemos mais linhas de produção, mais fábricas a abrir, e isso é importante porque a Rússia agora tem uma economia de guerra -- a indústria automóvel russa está a contribuir para o esforço de guerra -- e isso significa que nós também temos de fazer o mesmo na Europa, no Canadá e nos Estados Unidos", referiu.

O secretário-geral da NATO elogiou os esforços que têm sido feitos pelos europeus, afirmando que se está a assistir a uma "transformação sem paralelos desde o fim da Guerra Fria, em que a Europa está a assumir muito mais responsabilidade pela defesa convencional da Aliança no território europeu".

"Trata-se de uma NATO transformada, em que os Estados Unidos têm um parceiro forte na Europa, muito mais forte do que há apenas quatro ou cinco anos. Assim, toda a NATO fica mais forte. Como disse o ministro de Defesa alemão no outro dia, para mantermos a dimensão transatlântica da Aliança, temos de nos tornar mais europeus. É exatamente isso que está a acontecer", saudou.

A cimeira da NATO arrancou, esta terça-feira, em Ancara, capital da Turquia, com foco no reforço do investimento em Defesa, nomeadamente dos aliados europeus face a um recuo dos Estados Unidos (EUA), e no apoio à Ucrânia.

De acordo com a agenda oficial da cimeira de chefes de Estado e de Governo dos 32 Estados-membros da Aliança Atlântica, que vai decorrer até quarta-feira no Palácio Presidencial de Ancara, vão ser discutidos três assuntos: o investimento em Defesa, o reforço da produção industrial e o apoio à Ucrânia.

A reunião decorre numa altura de tensão entre a Europa e os EUA, com a administração norte-americana liderada pelo republicano Donald Trump a recuar no seu investimento no âmbito da Aliança Atlântica, inclusive com a retirada de tropas do território europeu, argumentando que cabe aos aliados europeus um maior papel na defesa do chamado "velho continente".

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