Bolsa nova-iorquina voltou a demonstrar que os investidores estão em pânico com a propagação da epidemia do novo coronavírus, que já infetou mais de cem mil pessoas à escala mundial.
A bolsa nova-iorquina voltou a demonstrar hoje no seu encerramento que os investidores estão ansiosos, preocupados e em pânico com a propagação da epidemia do novo coronavírus, que já infetou mais de cem mil pessoas à escala mundial.
Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average fechou em baixa de 0,98%, para os 25.864,78 pontos.
Com o mesmo sentido, o tecnológico Nasdaq recuou 1,87%, para as 8.575,61 unidades, e o alargado S&P500 desvalorizou 1,71%, para as 2.972,37.
"Há claramente um sentimento de pânico que se difunde", estimou Nate Thooft, estratega na Manulife Investment Management. "Ninguém é capaz de prever até que ponto a epidemia vai ser severa nem quais serão as repercussões para a economia", sublinhou.
Os investidores "questionam-se, com cada vez mais ansiedade, como é que tudo isto se vai traduzir nos indicadores e sobretudo nos resultados das empresas", acrescentou.
Reflexo desta angústia, o rendimento dos títulos de dívida pública dos EUA a 10 anos chegou a ser de 0,657% durante a sessão de hoje, antes de recuperar um pouco. As obrigações norte-americanas são particularmente procuradas, porque representam um valor-refúgio durante os períodos de instabilidade e continuam atrativas quando comparadas com as de outros Estados, como a Alemanha.
Por outro lado, os investidores também foram abalados pela fortíssima queda das cotações do petróleo.
A cotação do barril de petróleo dos EUA baixou acentuadamente, ao cair mais de 10%, devido à falta de acordo entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e a Federação Russa para a redução da produção.
O setor da energia em Wall Street sofreu as consequências de forma brutal, com o sub índice do S&P500 que agrupa estas empresas a recuar 5,61%.
A queda dos índices acabou por se atenuar, porque "já caíram muito e as instituições estão a recorrer a cada vez mais medidas" para limitar as perdas, estimou Nate Thooft.
Depois da descida das taxas de juro decidida, de forma inesperada e urgente, pela Reserva Federal (Fed) na terça-feira, o presidente norte-americano assinou hoje um plano para financiar a luta contra a epidemia no valor de 8,3 mil milhões de dólares (7,4 mil milhões de euros).
Mas hoje nem os bons números que se conheceram sobre economia dos EUA, nem as declarações do seu presidente, permitiram tranquilizar os investidores em Wall Street.
Com efeito, a criação de emprego nos EUA, em fevereiro, atingiu os 273 mil, ao contrário das expetativas dos economistas, que previam uma estagnação. Por seu turno, a taxa de desemprego caiu para 2,5%, a mais baixa desde há 50 anos.
O défice comercial norte-americano baixou 6,7% em janeiro, devido em particular a uma clara diminuição das importações de bens provenientes do Canadá e da China.
Donald Trump declarou-se convencido que "os mercados vão recuperar". E insistiu com a Fed para que torne a descer ainda mais as suas taxas de juro de referência.
"As condições monetárias são particularmente atrativas para alimentar uma recuperação enérgica, desde que existam provas suficientes de que o pior já passou", sublinhou Thooft.
Com a aproximação do fim-de-semana, os índices acabaram por limitar as perdas na última hora do mercado.
Depois de terem vivido a pior semana em Wall Street desde a crise financeira de 2008, e depois de nesta terem alternado subidas e descidas, os índices acabaram por fechar a semana com ganhos semanais: o Dow Jones de 1,8%, Nasdaq de 0,1% e o S&P500 de 0,6%.
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