Corpo de José Eduardo dos Santos chega após uma decisão da justiça espanhola.
Choros e palmas ouviram-se esta noite no aeroporto internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, à chegada da urna transportando os restos mortais do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos, que morreu em Barcelona em 08 de julho.
O corpo, proveniente de Barcelona, chegou hoje a Luanda após uma decisão favorável da justiça espanhola às pretensões da viúva do antigo chefe de Estado que governou Angola durante 38 anos, e que permitiu ao executivo angolano trazer os restos mortais para Angola para a celebração das exéquias fúnebres.
A chegada foi acompanhada no aeroporto por dezenas de jornalistas nacionais e estrangeiros, bem como por altas individualidades do governo angolano, que receberam a viúva, três dos seus filhos e outros familiares, enquanto os filhos mais velhos, Tchizé, Coreon Du e Isabel dos Santos expressaram a sua mágoa por não poderem despedir-se do pai.
O avião que transportava os restos mortais de José Eduardo dos Santos, da companhia aérea angolana TAAG, aterrou no aeroporto internacional 4 de Fevereiro às 19:16 locais (mesma hora em Lisboa) e, cerca de 30 minutos depois, a urna, coberta com a bandeira de Angola, foi retirada da aeronave.
A saída da urna, para a antiga residência oficial do chefe de Estado, no Miramar em Luanda, era também esperada por alguns militantes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e simpatizantes do ex-presidente, que se emocionaram.
"Zédu chegou", chorava uma senhora envergando as vestes do MPLA, amparada por um familiar.
Outros acompanharam com palmas a saída do carro fúnebre e da comitiva que acompanhou a família até ao Miramar.
O Governo angolano anunciou hoje de manhã que chegariam hoje à tarde à capital angolana "os restos mortais do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, falecido no passado dia 8 de julho em Barcelona, Reino de Espanha".
A nota, que foi emitida pela Comissão para a Organização da Cerimónia Fúnebre, refere ainda que "a data e o programa das exéquias serão oportunamente comunicados".
Hoje à tarde, o porta-voz do MPLA, Rui Falcão, admitiu que o funeral deve realizar-se em Luanda no dia 28 de agosto, coincidindo com a data do seu aniversário.
No aeroporto encontravam-se vários membros do Governo angolano, entre os quais os ministros dos Transportes, da Defesa, de Estado para a Área Social, da Comunicação Social, e da Administração Territorial, Marcy Lopes - que é também porta-voz da Comissão das Exéquias Fúnebres.
José Eduardo dos Santos, que governou Angola de 1979 a 2017, morreu, em 08 de julho, com 79 anos, em Barcelona, Espanha, onde passou a maior parte do tempo nos últimos cinco anos.
Duas fações da família dos Santos disputavam, na Vara de Família do Tribunal Civil da Catalunha, quem ficaria com a guarda do corpo de José Eduardo dos Santos.
De um lado, Tchizé dos Santos e os irmãos mais velhos, que se opunham à entrega dos restos mortais à ex-primeira-dama e eram contra a realização de um funeral de Estado antes das eleições de 24 de agosto para evitar aproveitamentos políticos.
Do outro, a viúva Ana Paula dos Santos e os seus três filhos em comum com José Eduardo dos Santos, que reivindicavam também o corpo e queriam que este fosse enterrado em Angola nos próximos tempos.
Na quarta-feira, o tribunal decidiu-se pela atribuição do cadáver à antiga mulher e autorizou a trasladação para Angola, depois de concluir definitivamente que José Eduardo dos Santos morreu de causas naturais.
A trasladação do corpo do antigo chefe de Estado angolano ocorre em pleno período de campanha para as eleições, onde o atual Presidente, João Lourenço, que sucedeu a José Eduardo dos Santos em 2017, procura a reeleição.
Mais de 14 milhões de angolanos, incluindo residentes no estrangeiro, estão habilitados a votar em 24 de agosto, na que será a quinta eleição da história de Angola.
Os 220 membros da Assembleia Nacional angolana são eleitos por dois métodos: 130 membros de forma proporcional pelo chamado círculo nacional, e os restantes 90 assentos estão reservados para cada uma das 18 províncias de Angola, usando o método de Hondt e em que cada uma elege cinco parlamentares.
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