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O programa de TV nasceu em 1975, na CBS americana (hoje é produzido pela Sony), criado por Merv Griffin. Trata-se do segundo concurso mais longevo da história da televisão – o primeiro é ‘O Preço Certo’. A regra é simples: três concorrentes tentam adivinhar uma frase, um provérbio ou um título – letra a letra, girando uma roda que dita o valor dos prémios. Uma coqueluche planetária, as versões são babélicas – a russa chama-se ‘Pole Chudes’ e a brasileira ‘Roletrando’. Desde 2000 há um avatar infantil do programa.

Existe ainda um videojogo para computador e consola. O sucesso provém se calhar da singeleza do modelo, já que o prémio mais elevado foi de módicos 150 mil dólares (numa sessão de Fevereiro de 1996). A ‘Roda da Sorte’ da RTP acabou transfigurada por Herman José, então moreno e com fogo no rabo, um turbilhão de maluqueiras impagáveis. Ele ‘desconstruía’ o programa, até literalmente: numa emissão, disparou vários tiros de caçadeira contra uma panela de pressão, esburacando o cenário.

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Com Cândido Mota, o humorista esgrimia um alquímico e delirante pingue-pongue verbal – na verdade, era mais um basquete: Mota levantava a bola para os afundanços de Herman. Havia a assistente, Rute Rita (um nome demasiado bom para ser verdade, com as iniciais duplas e ásperas…). O apresentador não permitia que ela vegetasse no proverbial papel de vaso decorativo. Nunca os sorrisos amarelos de uma cabecinha oca foram tão adoráveis.

Como será a nova versão da SIC? A fórmula não terá envelhecido, caducado o prazo de validade? Amanhã veremos. De qualquer forma, não deixa de ser irónico que, depois de uma fase aziaga, talvez gerada pela autocomplacência, parece que a sorte está a mudar para o próprio Herman José (agora loiro, quase platinado). Oxalá.

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