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Eu julgo que está já passado o tempo suficiente para se poder fazer uma leitura sustentada sobre a performance política de Ferro Rodrigues como líder do maior partido político da oposição e como hipotético condutor do PS nas próximas batalhas eleitorais, nomeadamente naquela que pode gerar uma alternativa ao poder actual no País. É sabido que Ferro Rodrigues começou por ser uma solução de recurso, talvez a única na ocasião a que, o PS se agarrou quando António Guterres abandonou precipitadamente as suas funções de primeiro-ministro e secretário-geral do PS. Poderia mesmo dizer que Ferro Rodrigues começou por não aceitar a assumpção dessas responsabilidades mas depois foi pressionado e praticamente empurrado para o lugar que ainda hoje ocupa. A crise da liderança que António Guterres gerou com consequentes eleições antecipadas não permitia ao PS muito espaço de manobra. Eu diria que a solução encontrada foi a melhor de todas as que se perfilavam na linha do horizonte. Ferro Rodrigues era consensual, não provocava fracturas dentro do PS, tinha sido, talvez, o melhor ministro que António Guterres teve na sua equipa, era uma grande referência para as gerações que sonhavam com o 25 de Abril, era conotado com um PS mais esquerda, situação vantajosa já que a imagem de Guterres era a oposta.

Acontece, porém, que após eleições que produziam resultados bem interessantes para o PS (apesar da derrota) e para Ferro Rodrigues, a acção do líder socialista não se afirmou, não cresceu, não criou raízes no eleitorado do PS. A minha leitura é até a de que com um bom ponto de partida a liderança de Ferro Rodrigues foi perdendo brilho e chama, pese embora sondagens favoráveis ao PS. Posso estar equivocado mas Ferro Rodrigues que tem todas as qualidades que atrás sublinhei não parece ser um homem talhado para a liderança. Há de facto um problema de carisma, mas mais do que isso parece-me que lhe falta o poder de comunicação e de contacto com a população, o poder de um discurso galvanizante, o poder de utilização com eficácia do meio televisivo, o poder de criar novos caminhos de empatia para ganhar o voto dos portugueses, o poder de mobilização do partido para as batalhas eleitorais. Em síntese, Ferro Rodrigues pode ser sempre um grande ministro do PS mas a sua acção não indicia a hipótese de vir a ser um grande líder partidário. Não há aqui nenhum demérito pessoal. Não está em causa a sua inteligência, a sua cultura, a sua honestidade, a sua honradez, os seus pergaminhos políticos. A única questão que o tempo deixou evidente é que Ferro Rodrigues não reúne as capacidades para liderar um partido como o PS e até julgo que até lhe falta paciência para tantas coisas que fazem parte desse ritual.

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O PS tinha e tem condições para ganhar o País mas precisa de encontrar um líder que, em minha modesta opinião, deveria sair do grupo de novos dirigentes que o PS formou e que sem dúvidas, tenha a força, o carisma, a compreensão do mundo moderno, o desejo e a ambição que Ferro Rodrigues não tem e, provavelmente, ninguém da sua geração terá. O objectivo nº 1 do PS deveria ser essa renovação que poderia ser conduzida pelo próprio Ferro Rodrigues e depois um programa de acção inovador, que aproveite as competências do PS, e garanta a resolução dos graves problemas do País que continuam sem solução.

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