Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoAmeaça explosiva
10 de março de 2010 às 00:30Mas o dinheiro a preço de saldos não é fenómeno eterno. O Governo, nas metas inscritas no PEC, prevê que até 2013 as taxas de juro a três meses aumentem ao ritmo de 4,9 vezes. Ou seja, por cada euro pago hoje de juros prevê-se que daqui a três anos as famílias paguem 4,9 euros.
Nos empréstimos indexados a seis meses a subida será menos abrupta, mas os consumidores poderão esperar um aumento de 2,6 vezes dos juros. Ou seja, para quase dois milhões de famílias, os sacrifícios do PEC, que se traduzem em menos rendimentos e mais impostos, até representam um mal menor em comparação com a subida dos juros. Com a economia anémica, a evoluir a um ritmo inferior a 2%, é impossível um ajustamento salarial que compense tamanho corte do poder de compra.
Aquilo a que chamamos crise está a transformar-se num fenómeno estrutural deste país habituado a empobrecer.
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