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Mas eis que na passada terça-feira, à saída de um encontro com o Presidente da República, o espectacular António José Seguro seguiu a mesma linha de pensamento, disponibilizando-se para modernizar o Estado e torná-lo "mais amigo das pessoas". Donde, é oficial: o debate político português chegou ao jardim-escola. Governo e oposição querem ser nossos amigos, tal como a jovem Adriana quis ser amiga do polícia de choque Sérgio. Daqui a pouco, se não tivermos cuidado, também vão começar a querer dar--nos abracinhos.

Digam-me: sou só eu a sentir-me ofendido com esta linguagem infantilóide, que reduz o debate sobre a maior crise económica das últimas décadas a uma tertúlia para atrasados mentais? Juro por todos os santinhos que sempre fui contra o discurso dos homens providenciais, geralmente promovido por ex-políticos octogenários que suspiram por um tempo sem osteoporose. Mas hoje em dia, vemos de um lado Pedro Passos Coelho, que demorou um ano e meio a descobrir o seu próprio programa eleitoral; e do outro António José Seguro, um anãozinho político que sonha sentar-se à mesa dos crescidos, e que por isso decreta o crescimento cada vez que vai à televisão. Vemos tudo isto e, de facto, só dá vontade de chorar. Estamos tão lixados, amigos, que às tantas o tal abracinho ainda vem a calhar. Isto são tempos demasiado grandes para gente tão pequena.

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