Mas Fischer foi tudo menos discreto: um fantástico jogador de xadrez, autodidata, antissemita (sendo judeu), antiamericano (jogou na Jugoslávia de então, o que estava proibido pela ONU e o transformou em proscrito) e polémico em quase tudo o que fez, desde a sua forma de jogar (não terminando jogos vitoriosos) até aos riscos que correu diante do tabuleiro ou ao apoio a Bin Laden, folclórico e a raiar o abjeto. Desde que Botvinik derrotara o cubano Capablanca (1888-1942), que o xadrez fora domínio soviético.
Fischer derrotou Petrosián e, depois, Boris Spassky, em 1972, no célebre jogo de Reiquejavique. De 1975 a 1992 (foi a Belgrado) viveu retirado, até se tornar apátrida e indesejado. A sua excentricidade era a de um louco que deu a vida pelo xadrez e cuja loucura nunca o impediu de jogar. Como qualquer amante do xadrez sabe, às vezes nada mais importa. Neste fim de semana teria completado 70 anos.
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