E é: levar as decisões políticas para os tribunais ou transformar cada ator político num declamador dos códigos retira credibilidade e sentido não só à vida política, mas, também, ao País. Estamos, agora, a assistir a outro golpe de Estado: as televisões disponibilizam os seus púlpitos não a comentadores políticos, mas a cavalheiros que dão aulas de política e de ética como se fossem senadores de uma república honrada e de contas limpas. Nem uma coisa nem outra são verdadeiras: a república perdeu a honra e as contas conduzem-nos à perdição; e quanto aos "senadores", limitam-se a um ajuste de contas vergonhoso sob o manto diáfano da sua ‘experiência’ – que nos conduziu até aqui. Não é apenas esquizofrenia; é a democracia capturada por gente que aproveita a falta de memória dos portugueses.
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