Leonardo Ralha

Jornalista

Elogio da cremação

26 de outubro de 2012 às 01:00
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Houve quatro suspeitos, mas nenhum admitiu ter a rotina de profanar cadáveres quando uma denúncia anónima levou a PSP e a Polícia Científica a um local onde é suposto que os mortos repousem em paz. Um dos suspeitos ainda trabalha no cemitério, enquanto outro continua ao serviço da Junta de Freguesia de Belas, mas tem funções diferentes.

Esta é uma situação que dá verdadeiro sentido à palavra ‘macabra’, mas só aconteceu devido a outra situação, ainda mais tenebrosa e que é um evidente sintoma do estado da nossa sociedade.

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Aquelas caveiras ficaram na mira dos coveiros do cemitério de Belas apenas porque nenhum familiar as reclamou ao serem levantadas da terra.

Mais chocante do que o divertimento infame e facínora de um quarteto de desocupados é o esquecimento a que pessoas que não disparam sobre caveiras votam os restos mortais dos seus, tornando o episódio do cemitério de Belas a melhor propaganda para as cremações.

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