Infelizmente, não houve surpresas em Lisboa. Santana Lopes, convém lembrar, foi aposta pessoal (e provavelmente inevitável) de Ferreira Leite. Perdeu. Perderam. Razões? Nenhuma em especial: a campanha de Santana foi irrepreensível no marketing. Mas Santana é um homem com passado (na autarquia e no governo) e, claro, a idade não perdoa: o frescor de outros tempos funciona hoje a meio gás. O ‘menino guerreiro’ já não é menino e já não é guerreiro. Além disso, a vitória socialista nas legislativas reforçou o apelo de António Costa, que teve ainda o mérito de juntar no mesmo saco vários gatos de ninhadas distintas. Saber se a coisa vai funcionar é mistério para os próximos capítulos. E Ferreira Leite? A líder do PSD vendeu a ideia de que europeias legislativas autárquicas eram um ciclo só. Se assim fosse, o PSD venceria o combate por 2 a 1.
Acontece que a política não se decide em vários rounds. Por vezes, decide-se num único assalto. Esse assalto já sucedeu nas legislativas, quando Ferreira Leite tinha tudo para levar Sócrates ao tapete. Azar. Desconfio que ganhar no país e perder em Lisboa não chega para salvar esta liderança do KO.
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