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Quais são os meus desejos para 2005? Simplesmente, um País novo!

Ainda me perguntam porquê? O espaço correspondente a esta página não chegaria para ‘detalhar’. Mas, em jeito de síntese, creio que os portugueses estarão de acordo se disser que os últimos meses de 2004 corresponderam, talvez, ao pior período que a democracia, em Portugal, tem memória, mesmo considerando os excessos cometidos no pós-25 de Abril, de algum modo justificados pela habituação criada por quase meio século de ditadura e obscurantismo.

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Hoje, a dúvida que prevalece é se ainda estamos a pagar a factura deixada por Salazar ou se as novas gerações são capazes de achar uma fórmula intermédia entre as horrendas ditaduras e esta forma de democracia que nos tolhe os movimentos e que, por ânsia de controlo, está completamente descontrolada. A noção de cidadania, ou falta dela, tem responsabilidades nesse descontrolo? Sem dúvida. Mas como pode reagir um povo quando, salvaguardando as honrosas excepções, o Estado dá uma imagem de degradação; os Governos traiem-se a si próprios; os partidos jogam em absoluto com as situações e os políticos não dão o exemplo, sobretudo quando, a partir das suas tribunas parlamentares, dão a triste sensação de que a Assembleia da República é o território de um imenso jogo de dialécticas perdidas?

LISBOA, COITADA

Na semana em que o árbitro Jacinto Paixão ficou proibido de contactar o presidente do Boavista, João Loureiro, no âmbito do processo ‘Apito Dourado’, o FC Porto deslocou-se ao Funchal para realizar o último jogo de 2004 na SuperLiga. Perdeu dois pontos mas o que somou na classificação chegou-lhe para entrar em 2005 como líder isolado. A liderança não surpreende; o que surpreende é a irregularidade da própria equipa portista, muito longe da coerência e da constância do ‘FC Porto de Mourinho’; o que surpreende, também, é que, perante um FC Porto arritmado, Benfica e Sporting não tenham conseguido melhor do que já conseguiram.

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Todavia, a recepção do Marítimo ao FC Porto ficou marcada pelo encontro entre Alberto João Jardim e Pinto da Costa. A vida também é feita de afectos e as pessoas, no quotidiano, aproximam-se porventura porque encontram pontos em comum. Essa aproximação resulta, também, muitas vezes, em afastamento, por razões várias, umas mesquinhas, outras ponderosas. Em muitos momentos da combinação osmótica entre futebol e política, sempre observei Alberto João Jardim e Pinto da Costa como espécie de almas gémeas. Pela personalidade? Talvez. Pelo desassombro? Talvez. Pela ‘obra feita’? Talvez. Mas seguramente pela forma como ambos sempre desafiaram o denominado ‘poder central’, que hoje se constitui numa asserção mais ou menos anacrónica.

De resto, o ódio que Pinto da Costa sempre revelou por Lisboa só tem paralelo no desprezo que Alberto João sempre denunciou pelo ‘contenente’. E esse também é um importante ponto de contacto entre os dois. Pior é que ainda há quem pense que estes salamaleques são um tributo à descentralização quando o discurso que está subjacente aos dois – ataque sistemático aos ‘mouros’ e aos ‘cubanos’ – está mais que desactualizado. De tanto falar no mesmo até se pode colher a sensação de que Lisboa é o continente e que tudo o resto são ilhas adjacentes.

Houve um tempo em que havia Lisboa e a denominada Província. Houve um tempo em que as assimetrias entre o litoral e o interior eram gigantescas. Hoje, felizmente, em muitos aspectos (não em todos, porque ainda se privilegiam as obras de fachada em vez das obras públicas de inquestionável alcance social), já não é assim. As grandes indústrias estão a Norte e o poder económico também.

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Neste sentido, nem sequer houve inflexão; sempre foi assim. Lisboa e os lisboetas aceitaram, a meu ver, com enorme bonomia e tolerância, as provocações sistemáticas de Pinto da Costa. A tendência para a vitimização. O discurso dos ofendidos e desprotegidos, quando, na realidade, sem querer fazer generalizações, houve um abuso de interpretação relativamente à origem dos emissores e dos receptores. Há que reconhecer que ninguém ‘defendeu’ o (FC) Porto e, depois, o Norte e, simultaneamente, a regionalização como Pinto da Costa o fez, naquele seu jeito inflamado.

A seguir a óptica de Pinto da Costa, que fez muito por dividir o País ao meio, ninguém defendeu Lisboa e o Sul como o presidente do FC Porto o fez em relação ao seu clube, inclusive na defesa de ataques duros e cerrados, estendendo a sua área de intervenção a outros ‘condados’. Houve algumas respostas mais empertigadas mas não passaram disso. A estória acabava sempre do mesmo modo: às arrecuas.

Recordo, à guisa de exemplo, que o Belenenses foi, durante muito tempo, um bom aliado de Pinto da Costa, cujo sinal de bom entendimento era trazido a público no momento em que os jogadores faziam o depósito de flores no túmulo de Pepe. Aliás, Pinto da Costa foi muito hábil a marcar território a sul do Mondego e conseguiu-o com indiscutível eficácia.

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A DEFESA DO QUINHÃO

Não deixa de ser curioso que Pinto da Costa assuma uma posição subitamente mais crítica em relação ao poder político e, também, aos governantes, depois de um período de aparente acalmia no confronto com Rui Rio, no seguimento da ‘segunda fase’ da operação ‘Apito Dourado’, curiosamente desde que foi constituído arguido nesse processo de alegada corrupção no futebol. Primeiro, proclamou que iria enfrentar o actual presidente da edilidade portuense nas próximas autárquicas; agora, vem dizer que apoiaria Alberto João Jardim até para a Presidência da República. Alberto João e Pinto da Costa que – não há muito – andaram engalfinhados, fazendo acusações mútuas de alto calibre...

Seja como for, porque em política temos de estar preparados para tudo, infelizmente, Pinto da Costa está claramente a apostar na sua própria mediatização. Tendo todo o direito à presunção de inocência, como qualquer outro cidadão, este País, ou se se quiser, algumas pessoas deste País ainda agem e reagem como se vivêssemos na era do feudalismo. A defesa do quinhão.

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SER. VIEIRA, EM QUE FICAMOS?

O Benfica ultrapassou a Oliveirense na Taça de Portugal.

Bruno Paixão voltou a apitar – e, dada a sua reconhecida incompetência, isso é que é notícia.

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Notícia não é ter assinalado três penáltis. Notícia não foi a discussão sobre a génese dos penáltis. Notícia é o Conselho de Arbitragem da FPF logo assumir o papel de protector dos árbitros desgraçadinhos (?) logo que houve oportunidade. Então, em plena quadra natalícia, Paixão poderia lá ficar sem poder pisar o relvado do Estádio da Luz?

Quanto ao Benfica, o seu presidente já disse tudo: “Jogadores devem ter outra atitude”. Mas não foi o mesmo sr. Vieira que, não há muito tempo, deu a entender que os futebolistas do Benfica eram incapazes de manifestações menos próprias? Nem a Oliveirense respeita a ‘instituição’. Disse Simão, disse o guarda-redes Vítor, disse Paixão e dizem todos aqueles que já não conseguem prolongar a ilusão. Quanto às relações com o Sporting, não me parece que Dias da Cunha vá na conversa enquanto José Veiga for o ‘homem do futebol’.

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