Dora, a Espectadora

Jornalismo de Olhão...

11 de fevereiro de 2023 às 14:58
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Um recente exercício criativo da informação de Nuno Santos merece uma reflexão à altura da consternação que provocou na sua própria redação. Refiro-me à utilização das imagens de uma agressão nas ruas de Olhão. Um pouco de contexto: a TVI teve acesso à gravação do sucedido e decidiu exibi-la, sem edição e em horário nobre.

Mas fez mais: para um total de vídeo de 1 minuto e 3 segundos, a estação fez três destaques durante o jornal, num total de um minuto de imagem. Quando exibiu a peça, verificou-se que o tal 1 minuto e 3 segundos rendeu 1 minuto e 26 segundos, com as repetições de excertos. Até aqui não há nada de novo: apesar de uma clara interferência em termos de conteúdo, tudo o que ficou exposto diz respeito à forma.

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Mas quando nos detemos apenas nos conteúdos a questão é mais séria: muito mais séria. O que a TVI serviu naquele dia foi um espetáculo ignóbil de violência gratuita sem o mínimo enquadramento. Não se sabia quando tinha acontecido, não se sabia como tinha terminado e em que estado estava a pessoa agredida, não se sabia quem eram os agressores, não se sabia sequer se as autoridades policiais estavam a tomar medidas.

Não se sabia nada! Brindada com um vídeo monstruoso, a informação chefiada por Nuno Santos, sempre tão lesto a criticar o jornalismo tabloide, decidiu descer para o nível de pasquim! No dia seguinte todas as televisões fizeram, naturalmente, notícia do ocorrido: NOTÍCIA! Foram ouvir pessoas, foram investigar, foram dar enquadramento a tudo o que a TVI ignorara na véspera. A própria TVI fez esse trabalho mas o mal já estava feito: um dia antes a estação demonstrara ter menos densidade editorial do que o programa de vídeos virais da MTV que avisam os espectadores que não exibirá imagens que lhes sejam enviadas. Chama-se ‘Ridiculousness’. Nem de propósito...

Antiguidade?

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Aparentemente Cristina Ferreira acha que Moniz tem uma concepção antiquada de televisão. Não dou razão à brilhante teórica desta matéria, mas não posso deixar de reparar que, pelo menos em termos jornalísticos, há ali uma certa antiguidade, já que a promoção do ‘Perplexidades’ é mais antiga do que o Acordo Ortográfico. Ou este "fracturante" é mais um dos habituais erros da TVI?

Dúvida

Quando vi, na TVI, Lurdes Baeta a perguntar a opinião de Paulo Portas sobre o altar/palco da Jornada Mundial da Juventude, fiquei na dúvida. Era para saber o que pensava o comentador ou o administrador da Mota/Engil?

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18.º Round

‘Tinto no Branco’ volta a ganhar o duelo pessoal contra ‘Perplexidades’ e coloca o score em 10-7 favorável ao tira-teimas predileto das tascas portuguesas. No balanço da semana, o ‘Telejornal’ apenas perdeu uma vez para o moribundo jornal de Queluz de Baixo que, a julgar pelo fracasso, não vai ser recordado como o ‘Jornal das 8’ mas como o ‘Jornal feito num 8’. Por falar em recordações: na próxima semana vou aqui homenagear os 30 anos da TVI.

Fade in

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Caezinhos da chapeleira

Adoro o revivalismo kitsch e saúdo a coragem de o assumir em televisão. Há muitos anos era comum ver, sobre a chapeleira de alguns carros, uns cãezinhos como o da gravura (do lado esquerdo da gravura, entenda-se) que, quando o carro parava, ficavam a abanar a cabeça por causa da inércia. Quem se der ao trabalho de ir ver as gravações automáticas dos jornais apresentados por Sandra Felgueiras, não pode ficar indiferente à bonita homenagem que é feita a esses tempos (e, em rigor, a todo o kitsch) quando a comunicadora fica a abanar a cabeça no final de cada um dos seus pivots.

Fade out

O menino Nicolau e os amigos

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O conselho de administração da RTP reconheceu numa reunião com funcionários que desconhecia o valor do custo do aluguer de um carro de exteriores. Tendo em conta que estamos a falar de preços entre os 15 mil e os 20 mil euros por dia, ficamos conversados sobre o profissionalismo do modelo de gestão da televisão que nos sai dos bolsos. Afinal, o que são mais ou menos 15 ou 20 mil para quem nos leva 400 mil por cada dia?

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