Gilberto Madaíl tentou: de chapéu na mão, como um pedinte, lá foi a Madrid falar com Sua Alteza Real, José Mourinho. Mourinho ouvi-o e depois, com o hino nacional a soar na alma, confessou que adoraria ajudar os miseráveis com algumas migalhas do seu prato; ajudar sem custos, de borla e, quem sabe, até deixando umas esmolas.
Acontece que, acima de Sua Alteza Real, está o Real propriamente dito, que não se comove com estas sopas de pobres. Madaíl ouviu tudo, regressou a Lisboa e, no momento em que escrevo, ainda espera por um milagre.
Eu, um cínico e um materialista, não espero por milagre nenhum. O espectáculo de mendicidade que a Federação exibiu esta semana não é apenas um embaraço para o País; é a expressão de uma pobreza mental que, ao contrário da outra, nem todos os Orçamentos de Estado serão capazes de resolver ou iludir.
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