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O absurdo instalou-se na política. Parece que não há outra forma de fazer oposição. Perdeu-se o carácter selectivo e até mesmo a capacidade de análise fria dos actos do Governo para poder dizer, sim, esta é uma medida acertada; não, esta decisão é um erro por isto e mais aquilo. Reparem bem – é um, entre muitos exemplos.

A ministra da Educação, que já recebeu elogios e enxovalhos, continua indiferente à retórica de propaganda das oposições. Na abertura do ano lectivo defendeu, em Guimarães, a ideia de que o “Secundário deve ser o nível de qualificação de todos os portugueses”, “em particular dos jovens em idade escolar”. Anunciou assim que o Ensino Secundário poderá tornar-se obrigatório a partir do ano lectivo 2009/2010. Disse: “É uma das prioridades do Governo”, lembrando que nos últimos dois anos o número de matriculados no Secundário subiu significativamente, mas isso ainda é pouco.

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Maria de Lurdes Rodrigues participou também numa das mais importantes tarefas do seu Ministério e do Governo, ou seja, na distribuição de computadores portáteis a todos os alunos. Pois bem, reparem na reacção intempestiva de Marques Mendes, líder do PSD, empenhado em vir a assumir no futuro funções de primeiro-ministro: “Trata-se de um acto da mais vergonhosa propaganda” que acontece “em vez de estarem a trabalhar, em vez de o primeiro-ministro se preocupar com a criminalidade e a segurança dos cidadãos”.

Fala-se em alhos. Marques Mendes responde em bugalhos. Dá a sensação de que se perdeu o tino e o bom senso na comitiva do PSD. Então, a ministra da Educação anuncia medidas que significam progresso, exigência, modernidade para que o País, no futuro, se torne melhor e Marques Mendes “aos costumes disse nada” e num tom colérico chama “a mais vergonhosa acção de propaganda” à entrega que o Governo tem vindo a fazer por todo o País de portáteis e que vai permitir importantes resultados em toda a comunidade escolar.

Computadores para os alunos, para os professores, etc. Isto é propaganda? Isto é uma das mais sérias e eficazes intervenções no progresso de uma escola. Mendes não gosta … paciência, deve engolir em seco. Teve muito tempo em tarefas de governação e nenhuma medida surgiu que “empurrasse” o País para a frente, que desafiasse os portugueses a não ficarem atrás dos outros europeus e a adquirirem qualificações para se poderem posicionar numa plataforma de maior conforto na disputa dos empregos.

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É estranho – tudo o que é inovador e “revolucionário”, para nos tirar do pântano em que vivemos nos últimos anos, com Governos PSD e CDS, recebe vaias e discursos sem qualquer lógica. Mendes deve pensar que os portugueses são todos muito estúpidos e não sabem distinguir o que é bem feito e o que é mal feito. Que alternativa credível Mendes pode construir quando a sua capacidade de reacção a decisões controversas é indigente, foge ao assunto e tenta enganar os portugueses com patranhas, como o que o primeiro-ministro devia fazer era tratar das polícias? O mesmo é dizer: deixe-se lá de reformas no ensino, não ofereça computadores a alunos e professores, deixe o ensino na balbúrdia em que o encontrou, sem futuro, sem bases, sem caminho, deixe-os lá ao “Deus dará”.

Quando um primeiro-ministro pensa em Educação… “isso é Impulse” propagandístico.

Que rica prenda se perfila para S. Bento…

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