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A TV Cabo tem 8 canais de desporto, do Discovery Turbo (que é o Discovery, mas turbo) ao Sailing Channel – fora os canais abertos. Impingem-nos secas tão desidratadas como o dardo ou o tiro. Este último, aliás, tem um passado espúrio: na África do Sul, durante o Apartheid, o tiro ao alvo era proibido e o tiro ao preto obrigatório. Motores? Passo. No Lisboa-Dakar, ouvi um piloto vangloriar-se aos berros: “Estamos completamente perdidos, mas acabámos de bater o recorde!” O ciclismo virou um Cartel de Medellin. E há o ténis de mesa, entre dois chineses de países diferentes.

Hipismo? Lembro-me do comentário do príncipe Philip, de Inglaterra, ao saber da falta de drenagens nas provas equestres nas Olimpíadas de Moscovo: “Esperemos que os cavalos não mijem todos ao mesmo tempo.” E anda uma peixeirada entre o YouTube e os principais eventos desportivos do Planeta. A maior firma mundial de advogados de direitos autorais já foi accionada pelas Ligas da Inglaterra, da França e da Alemanha, as Taças dos Campeões e da UEFA, além da F-1, da NBA e do torneio de Roland Garros. Querem ver sangue.

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Porco chauvinista, o que mais aprecio na vida são as mulheres e o futebol. O futebol é a mais importante das coisas sem importância. E a mulher é o melhor sexo oposto que o homem já conheceu. No futebol, na TV, o pior (com honrosas excepções) são os jornalistas. Oriundos de outros media, estão como um golfinho no Saara. Os chavões gorgolejam. Se o jogo não corre bem, o treinador “tem razões para estar preocupado”. Se vai às mil maravilhas, “trouxeram a lição bem estudada”. A promiscuidade entre funções exaspera. Estão quase a meter um golo e o comentador ainda pontifica sobre a morte da bezerra. Ou o próprio locutor disseca bizantinamente tácticas abstrusas, deixando o analista sem assunto.

O repórter de campo serve apenas para informar que, quando uma equipe mete um golo, os adeptos saltam de alegria. Jura? Joaquim Rita é arquetípico. Na Sport TV, em directo, pigarreia de meio em meio segundo. Quando não está a pigarrear tonitruantemente, está a empregar a palavra “dinâmica”, como se fosse o Einstein a enunciar E=mc2 (preferíamos que desatasse a pigarrear outra vez). Mas alguns telejornalistas desportivos possuem uma cultura enciclopédica. Cosmopolitas e poliglotas, só lêem ‘A Bola’, o ‘Record’ e o ‘Jogo’ no original.

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