Este é um dos grandes dilemas em que a Europa se afunda: por um lado, acena-se com o mercado global e as suas exigências para justificar cortes nos direitos sociais dos trabalhadores com vista a ganhos de produtividade; por outro lado, pretende-se esticar a média de vida activa o mais possível. Ora os trabalhadores mais velhos são mais caros e tendem a ser menos produtivos, principalmente nos sectores de ponta em constante requalificação tecnológica.
O que esta nova moda da arquitectura das políticas sociais europeias tenderá a criar é mais um pólo de tensão entre o capital apátrida e os representantes das forças de trabalho localizadas.
Por que se generalizaram as reformas antecipadas? Por haver um encontro de vontades entre o trabalhador desgastado e o seu empregador ávido de novas performances. O prolongar médico do ciclo de vida fez o resto para o peso da Segurança Social estar incomportável.
E o dilema é tão insolúvel que os governos vão empurrando o problema com a barriga há espera de uma ajuda do destino. Ora a História já ensina como essa ajuda sempre chega. Radical.
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