Contudo, outra figura de nome bizarro está a ganhar terreno: trata-se do barbeiro sangrador. Basta ler o livro ‘História da Medicina Portuguesa durante a Expansão', escrito pelo ex-bastonário da Ordem dos Médicos Germano de Sousa, para tomar conhecimento de como tal classe ganhou peso. Não só devido à escassez de cirurgiões qualificados, mas sobretudo porque a sangria era tão popular quanto a aspirina. Presumindo-se que a doença resultava do excesso de um de entre quatro humores (sangue, fleuma, bílis negra e bílis amarela), golpear as pessoas era a terapêutica, ‘eficaz' ao ponto de um jesuíta que viajava para a Índia ter deixado relato de que o barbeiro que seguia a bordo exerceu a sua arte com tanto zelo que o segundo piloto "havia ficado seco". Tendo em conta o efeito da sobretaxa de IRS nos recibos de vencimento de quem resistiu ao canto da sereia dos duodécimos, dir-se-ia que Vítor Gaspar teve um antepassado na gloriosa epopeia dos Descobrimentos.
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