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Convém esclarecer as vítimas de noticiários recentes: o sr. Yassin, que Israel abateu na segunda-feira, não era, ao contrário do divulgado, um mero inválido, um filantropo próximo da beatitude e alegado “guia espiritual” do seu povo. Este santo homem, que alguma da nossa imprensa decidiu inventar, era o chefe de uma organização dedicada à formação e fomento de assassinos.

Os campos de férias e as escolas do Hamas, que de facto existem e que os telejornais mostraram a título de obra humanitária, são etapas determinantes desse sistema formativo, que transforma crianças em alucinados religiosos, prontos a explodir-se em autocarros e restaurantes repletos de judeus.

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Consolidado por alturas da primeira “Intifada”, o Hamas (significa, sem ironia, “coragem”) carrega com milhares de mortos e feridos. Se há aqui virtude, é a coerência. Desde a fundação que o movimento jurou purificar a Palestina dos infiéis, isto é, dos judeus, que aliás considera responsáveis pelas revoluções francesa e russa, pelas duas Grandes Guerras, pela destruição das sociedades pela droga, pela violação de mulheres e crianças muçulmanas e por um suspeito parentesco com os símios. Semelhantes delírios são currículo obrigatório nas escolas e nos joviais acampamentos do Hamas, que Ahmed Yassin inspirava e dirigia.

Claro que a eliminação do sr. Yassin mereceu condenação unânime, com uma veemência pouco usada sempre que os alvos são civis israelitas. Não me refiro aos resmungos da ONU ou das habituais tiranias, mas à Europa. É normal: descontadas as considerações acerca da legitimidade dos actos de guerra ou da viabilidade de uma simples detenção, à maioria dos líderes europeus chocará que um governo democrático despeje três mísseis sobre um tetraplégico. Um choque que, por acaso, é proporcional à paralisia do continente.

Os líderes europeus, no que ao terrorismo islâmico respeita, medem as palavras pelo medo – e, por enquanto, pela falta de hábito. Israel não se dá a tais luxos, e sofre o terror diário, omnipresente e incondicional. Em Jerusalém ou Haifa, Atocha é rotina. E o papel do espiritual Yassin neste absurdo quotidiano não era desprezível. Talvez um dia a Europa perceba.

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Outra coisa, muito diferente de sermões patetas, é duvidar que a morte do sr. Yassin, como os demais “assassínios selectivos”, represente um ganho estratégico naquilo que a candura designa por “processo de paz”. O problema é que isso também implica explicar de que modo se regateia a paz com psicopatas. O dr. Soares explica, mas o dr. Soares é uma jóia rara.

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