Se o tema do Orçamento do Estado vai marcar o Estado da Nação, é importante não perder de vista o retrato do País que sai destes primeiros três meses do novo Governo da AD. O novo poder conseguiu tranquilizar a generalidade dos conflitos sociolaborais. Professores, polícias, oficiais de justiça, há toda uma variedade de grupos profissionais cujas reivindicações foram satisfeitas. Esta é a grande conquista do Executivo de Montenegro.
Depois, o Governo conseguiu transmitir a ideia de algum dinamismo político e de capacidade de ação, do aeroporto ao combate à burocracia, da intenção de descer os impostos à habitação. Cresce, porém, a fama de governar através de powerpoints, ou seja, de ter muito marketing e pouca obra feita. Como diz o povo, muita parra e pouca uva. Este risco reputacional merece atenção da parte do núcleo político da equipa do primeiro-ministro, até porque um dos planos mais badalados está a ser um relativo fiasco, o da Saúde, área na qual pouco ou nada melhorou depois da conferência de imprensa da agora tremida ministra da saúde.
Daqui para a frente, se às boas intenções não se seguir a obra feita, ou o Executivo consegue culpar alguém pela inação, ou o caldo estará entornado. O presente joga a favor do primeiro-ministro. Mas o futuro é mais favorável a Pedro Nuno Santos. Também por isto, o PS vai arranjar forma de viabilizar o Orçamento do Estado.
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