À medida que vamos revelando toda a verdade sobre a nomeação de Gandra d’Almeida começa a desenhar-se um padrão eticamente duvidoso na forma como o Ministério da Saúde tratou o processo. Trata-se de uma constatação preocupante, e que é politicamente muito grave.
Além disso, a falta de transparência leva-nos a questionar o que mais esconderá o Governo na sensível área da Saúde.
Vejamos, numa síntese fácil de entender, a sequência de eventos. Dia 21 de maio, Gandra d’Almeida renuncia à gerência das suas duas empresas. No dia seguinte, o Governo aprova a escolha do seu nome para diretor-geral do SNS, e divulga a decisão num comunicado que não faz referência ao trabalho acumulado pelo médico-militar quando era responsável do INEM no Norte. Duas semanas depois, a 7 de junho, o currículo enviado para a CReSAP já refere a acumulação, a qual, porém, volta a desaparecer na resolução do Conselho de Ministros que oficializa a nomeação.
De acordo com os dados que publicamos hoje, dados apurados pelo nosso jornalista de investigação, António Sérgio Azenha, se não houve uma intenção deliberada de mentir, pelo menos parece. De mentir, ou, no mínimo, de omitir informação e sonegar dados relevantes ao público. A posição da ministra está a ficar difícil de entender, e sobretudo de defender.
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