Carlos Rodrigues
Diretor"Os sindicatos recuperaram relevância, o que é bom para a democracia"
05 de junho de 2026 às 00:32O primeiro-ministro tem razão quando afirma que a greve geral da CGTP não trouxe nenhuma novidade. Ao fim de todo este tempo em redor das leis laborais, cada um dos intervenientes já cristalizou a sua posição. Incluindo os radicais de esquerda, que começam a criar uma certa tradição de provocar desacatos e irritar a PSP frente ao Parlamento, sem que as autoridades encontrem eficaz antídoto. A proposta chegará dia 18 à Assembleia, e continuará a cumprir a função principal: transmitir uma ideia reformista do Governo, que dessa forma tenta arranjar um problema ao Chega. Mas nesta história não há inocentes. Se a AD usa a lei para dar uma determinada ideia de si, também os sindicatos, em particular a CGTP, encontraram aqui um campo propício para recuperarem prestígio e relevância. Daí não vem mal ao mundo. As relações de força estão muito desequilibradas em prejuízo do trabalho. O movimento sindical deixou-se enredar numa lógica subalterna em relação ao depauperado movimento de extrema-esquerda. Os trabalhadores mais desfavorecidos viraram-se, aqui e na Europa, para o outro lado do espectro, o que leva o Chega a ter medo de embarcar no pacote laboral para não irritar a nova clientela eleitoral. As propostas do Governo sobre o trabalho têm esse efeito virtuoso. Devolveram energia e relevância aos sindicatos. Pensando bem, isso é bom para a democracia.
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