Carlos Rodrigues

Diretor

"Chega o Estado da Nação com os ânimos políticos exaltados, e sem palavras do meio"

14 de julho de 2026 às 00:32
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A política em Portugal está numa situação duplamente inédita. Por um lado, os partidos do centro já não mandam aqui. O Chega entrou na equação e tem a maior representação parlamentar da oposição. Por outro, os três líderes não confiam uns nos outros. Há relatos, inclusive dos próprios, de que Montenegro e Ventura se respeitavam no passado. Seja ou não mítica, a memória desse passado de respeito já lá vai, e o pessoal político do Governo, incluindo muito provavelmente o primeiro-ministro, deixou de confiar em André Ventura depois de tantas acusações de faltas à palavra. Montenegro e Ventura lideram duas instituições que desconfiam profundamente uma da outra, como provam as acusações de perseguição, feitas ontem pelo líder do Chega ao ministro da Administração Interna. O terceiro elemento da atual arquitetura parlamentar é quem tem demonstrado maior capacidade de controlo emocional. Isso fica provado com a gestão de avanços e recuos em relação à AD e à capacidade de negociar com o Governo. Porém, nem Carneiro confia na capacidade de diálogo de Montenegro, nem este parece ter grande interesse em aproximar-se do PS. Resultado: chegamos ao Estado da Nação com os ânimos políticos exaltados. Tempos difíceis para a moderação, para o compromisso e para as soluções de consenso. Faltam as palavras do meio, como tem dito o Presidente Seguro, expressão que não vou deixar cair. Portugal está com abcesso de extremos. 

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