Carlos Rodrigues
Diretor"Malhas que a Europa tece: o nosso futuro joga-se nas eleições húngaras"
18 de fevereiro de 2026 às 00:31Depois do discurso falsamente contemporizador em Munique, caiu a máscara ao secretário de Estado norte-americano. A visita de Marco Rubio a Budapeste e a Bratislava foi a verdadeira declaração de interesses da Administração Trump sobre o Velho Continente. Washington apoia os governantes menos democratas e que mais se têm distanciado da construção europeia. Estiveram bem, portanto, os líderes europeus ao rechaçarem as falinhas mansas do americano. Ninguém pode, em boa-fé, dizer que uma aliança continua firme, como disse o político americano, e ao mesmo tempo atacar o modo de vida dos supostos aliados. A América do presente está com o poder de Budapeste e não com a Europa. Porém, o discurso de Rubio em Munique foi tão diferente das palavras ditas há um ano pelo ‘vice’ JD Vance, no mesmo local, que merece reflexão. O recuo tático mostra que a Casa Branca parece estar consciente de que se aproxima um momento-chave. Isso ficou bem patente na declaração de apoio a Orbán, que tem eleições em abril e está atrás, nas sondagens, do pró-europeísta Péter Magyar. Veremos se o apoio americano provoca, ou não, uma reação anti-Trump dos húngaros. A Europa deve manter sangue-frio e tudo fazer para que o país escolha livremente. Ninguém deve dar pretexto para que Orbán se queixe. O futuro imediato da Europa e a reação anti-Trump joga-se, em grande medida, nas eleições húngaras.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt