Carlos Rodrigues

Diretor

"Marcelo não gostou, mas Gouveia e Melo pôs o dedo na ferida"

14 de agosto de 2025 às 00:32
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O candidato presidencial Gouveia e Melo tomou uma oportuna posição pública a propósito dos incêndios. Nas redes sociais, divulgou um vídeo no qual critica duramente o Estado central, ou seja, o Governo, e diz que se sentiu “completamente envergonhado” quando soube que os três Canadair estavam inoperacionais ao mesmo tempo. Gouveia e Melo esteve em Pedrógão, em 2017, a coordenar as operações de rescaldo e ajuda às populações.

A morte de dezenas de pessoas fez daquele ano o pior de sempre, e agora há a grande notícia de não ter morrido ninguém. Mas esta diferença fundamental não nos deve tolher na análise. “Não podemos continuar a improvisar. Isto é o Estado do improviso”, diz o antigo chefe militar. “É inaceitável haver falhas estruturais do Estado no planeamento, na organização e na prevenção dos fogos rurais.” Gouveia e Melo fez de líder da oposição, e fez bem, porque a oposição tem estado, na generalidade, calada, e os portugueses não gostam que ninguém denuncie quando as coisas correm mal. Curiosamente, pouco depois, o atual Presidente agradeceu a autarcas, a candidatos e a partidos por não terem aproveitado as dificuldades do combate aos fogos para fazerem campanha. De início, quando ouvi Marcelo, nem percebi. Só horas depois chegou até mim a informação sobre o que Gouveia e Melo tinha dito. A incomodidade do chefe de Estado mostra que o almirante pôs o dedo na ferida.  

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