Carlos Rodrigues
Diretor"Marcelo será o primeiro PR em que o pós-mandato vai definir a sua imagem"
09 de março de 2026 às 00:32Com a tomada de posse, esta manhã, do novo Presidente, chega ao fim a década de Marcelo. A passagem do tempo esbate sempre as mágoas e os ressentimentos, mas é bom recordar que, há 10 anos, o País estava crispado devido à subida ao poder do PS, apesar da derrota nas eleições. Havia uma enorme agressividade no parlamento, e as famílias partidárias acusavam-se mutuamente de deslealdade. A direita sentia que Costa tinha usurpado o poder, mas a esquerda aplaudia a ‘geringonça’ e preparava-se para reverter as políticas de Passos, chamando-lhe “virar a página da austeridade”. Foi nesse contexto que, num genial golpe de marketing político, Marcelo se transformou no Presidente dos afetos e da proximidade, através das ‘selfies’, imagem que marcará os seus mandatos. A memória vai apagar a leitura alargada dos poderes presidenciais, que levou a duas dissoluções em situação-limite, uma delas com maioria absoluta do PS no parlamento, bem como o excesso de comunicação a partir de Belém, de que os jornalistas vão ter saudades, mas que os portugueses dispensam em troca de estabilidade. Marcelo será o primeiro Presidente em que o pós-mandato será mais relevante que os anos de poder para definir a imagem que deixará na História. A tentação de se transformar no último chefe de Estado a ser reeleito pode lançá-lo para uma intervenção permanente de desgaste, que os portugueses acabarão inevitavelmente por condenar.
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