Carlos Rodrigues

Diretor

"O padrão-Marta Temido do início da pandemia transformou-se em regra"

02 de fevereiro de 2026 às 00:32
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Na verdade não se pode dizer que seja grande novidade a falência do Estado a que assistimos na zona Centro. Dos tempos da pandemia estão ainda bem vivas as memórias do cidadão fechado numa carrinha, por suspeita de estar infetado, sem que ninguém soubesse o que fazer. Ou da desorganização total na vacinação quando um militante notável do partido foi responsabilizado pela missão. Este descontrolo no combate à pandemia repete-se todos os anos nos fogos, nas cheias ou nos acidentes graves. Na crise presente, estamos apenas a assistir a nova cena numa peça que se desenrola há anos. O padrão-Marta Temido das primeiras respostas à pandemia transformou-se em regra. No fim de semana, impressionou-me este dado: no Hospital de Leiria houve 485 pessoas feridas até às 19 horas de sábado, em quedas e outros acidentes relacionados com limpeza ou reparação de edifícios. Tanta gente a cair de telhados e de vedações, quando tenta reparar à pressa e sem rede, é sinal de puro desespero de quem está só, e se sente sem qualquer saída. Felizmente, no final do Conselho de Ministros, Luís Montenegro anunciou uma reunião para o dia seguinte com os industriais de construção para organizar “respostas rápidas”. Vamos ver se nos entendemos: praticamente uma semana depois da tempestade, vamos começar a planear a melhor forma de arranjar telhas para esta gente que ficou sem telhado. Parece anedota, mas é apenas Portugal, em 2026.

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