Carlos Rodrigues

Diretor

"O poder tóxico de Donald Trump reforçou o ideal europeu"

05 de agosto de 2026 às 00:32
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Responder a crises com melhorias tem sido a vida da União Europeia. Mais uma vez assim foi com Ceuta. Os ministros europeus do Interior e da Administração Interna, reunidos ontem de emergência, reconheceram o óbvio. Espanha resolveu uma crise que não antecipou, e a Europa passou no teste, depois do ataque inicial absurdo de alguns países, e de várias forças políticas extremistas contra uma falsa invasão de imigrantes provenientes de uma cidade separada da Península Ibérica pelo mar. Ceuta tem um regime especial: ninguém sai da cidade para o continente sem controlo efetivo. Convinha que quem passou quatro dias a anunciar o colapso das fronteiras europeias tivesse lido o acordo antes de o declarar morto. Muitos eurocéticos ainda não terão entendido o sinal dos tempos. O susto global provocado pelo poder tóxico de Donald Trump, nos Estados Unidos, fez assentar a consciência de que a Europa é um tesouro que devemos salvaguardar. Se, nas fronteiras exteriores, há multidões dispostas a dar a vida para entrar nesta nossa fortaleza, algum valor ela deve ter. Foi a tentar cá chegar que morreram mais de 70 pessoas. Em memória dessas vítimas, salvaguardemos o sonho europeu. Não façamos delas meras vítimas colaterais de um xadrez geopolítico em que a Europa não pode ser sacrificada.

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