Carlos Rodrigues
Diretor"Passos não vê grande diferença entre Costa e Montenegro, e isso é intolerável"
26 de fevereiro de 2026 às 00:32Sejamos o mais factuais possível: na política portuguesa dos nossos dias, não há vendaval equivalente ao que se levanta quando Pedro Passos Coelho decide falar. As palavras do antigo primeiro-ministro têm hoje em dia mais impacto que as de qualquer líder da oposição. E parece que enervam muito o poder instalado no Governo e no PSD. As críticas à nomeação de Luís Neves para ministro da Administração Interna são o exemplo mais recente de uma sequência já longa. A forma como o líder parlamentar, Hugo Soares, se apressou a dizer que o antigo líder estava enganado, no canal NOW, poucas horas depois de Passos falar, é um sinal de uma sensibilidade já muito fina em relação às suas palavras. Grosso modo, Passos Coelho acha que o Governo não tem um plano para reformar o Estado nem uma ideia para o futuro de Portugal, e que, como tal, se limita a gerir o dia a dia. No fundo, Passos não vê grande diferença entre António Costa e Luís Montenegro, e isso, para alguém que tem uma visão muito própria para o País e sobre as reformas que considera necessárias, é politicamente intolerável. Pior: é um desperdício, sobretudo quando existe uma maioria de direita no parlamento que não funciona, o que, na sua leitura, constitui uma oportunidade histórica que está a ser desaproveitada. Onde nos irá levar esta verdadeira guerra de atrito entre Passos e Montenegro, ninguém sabe, mas seguramente que é daqui que podem brotar os episódios mais interessantes do futuro imediato da política à portuguesa.
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