Carlos Rodrigues
Diretor"Se o País não vai acabar, o Governo também não quer correr esse risco"
01 de maio de 2026 às 00:32Da mesma forma que o palco do 25 de Abril foi escolhido pelo presidente do Parlamento para fazer uma espécie de provocação ao espírito de Abril e ao próprio Presidente da República, com um discurso heterodoxo sobre a democracia, que defendeu a casta dos políticos e a respetiva possibilidade de se furtarem ao escrutínio público, talvez o Primeiro de Maio venha a ser utilizado para refletir de forma ousada sobre as novas leis laborais. Aguardemos os discursos e as manifestações. Nos últimos dias, este processo político evoluiu muito. Isto porque, tal como aqui tínhamos previsto, todos os quadrantes parecem estar a preparar-se para o fim desta extravagância.
A UGT está a furtar-se há meses, da melhor forma que consegue. Os patrões, sobretudo os mais modernos e dinâmicos, no fundo nunca perceberam esta insistência numa falsa questão. A nossa sondagem de abril, com 80% do País a desaprovar a medida, fez o resto. O próprio chefe do Governo, que manteve até mais tarde a ilusão de que estava preparado para teimar neste objetivo, já disse, no debate parlamentar desta semana, que o País “não vai acabar” se não houver novas leis laborais. Claro que o País não vai acabar, muito menos a economia, onde contratar e reestruturar segue o fluxo normal com as leis existentes. Com a inflação a subir e o custo de vida a disparar, Montenegro já se acautelou. Se o País não vai acabar, o Governo também não quer correr esse risco. Vai daí, reforma para o arquivo.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt