Outra das consequências da guerra que Trump decidiu lançar no Irão, e sobretudo da forma como a Casa Branca tem hostilizado todos os aliados, é a súbita transformação do panorama eleitoral europeu. Como ontem anotou Luís Paixão Martins no NOW, Trump passou a ser um ativo tóxico que está a prejudicar todos os que, por essa Europa, o defendem. Desde que Teerão começou a ser bombardeada, e desde, sobretudo, que o encerramento do estreito de Ormuz fez disparar os preços dos combustíveis, Meloni perdeu um referendo, a primeira-ministra dinamarquesa, que defendeu a Gronelândia, ganhou eleições, a direita radical pró-Trump perdeu a larga vantagem que levava para as eleições na Eslovénia, e a esquerda portou-se melhor do que se imaginaria nas autárquicas em França. Veremos em breve se também Orbán, na Hungria, se verá compelido a afastar-se do poder norte-americano, para evitar uma derrota que alteraria as regras do jogo na Europa, e deixaria a dupla Trump-Putin mais desamparada.
A caminho da quarta semana de guerra, esta é uma novidade relevante trazida pelo arriscado jogo bélico para o qual os Estados Unidos se deixaram arrastar. Trump, afinal, pode ser contrariado. O seu poder tem limites. E logo no fundamental desígnio de manter a normalidade do mercado global do petróleo. As chancelarias já o odiavam. Se os europeus forem pelo mesmo caminho, Trump terá um insuspeito papel no reforço da democracia no Velho Continente.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt