Carlos Rodrigues
DiretorA expressão que por estes dias vai ecoar pela política portuguesa é “histórias da carochinha”. Passos Coelho encontrou a fórmula mágica para marcar a agenda sem ter televisão. Agora, faz comunicações à porta fechada, para públicos mais ou menos seletos, de estudantes, professores e empresários. Aparentemente, as suas palavras não se destinam a ser notícia, porque não há imagens para as conferirmos. Mas, dessa forma, acabam por causar ainda maior estrondo, porque as frases que transpiram das salas fechadas propagam-se à velocidade da luz nos sites e nas redes sociais, até aos jornais e aos canais de informação. Passos bem disse, ou terá dito, na sessão de ontem, numa universidade de Lisboa, que os políticos falham ao agirem ou opinarem com base em sondagens e no que acham que os portugueses preferem, e não nos planos de futuro ou de longo prazo. Saboreemos, portanto, as histórias da carochinha, planos de amor às reformas que não passam do papel, fogo que arde sem se ver, um retrato devastador do Governo de Luís Montenegro e do PSD, o partido que também é de Passos Coelho. Mais certeiro ainda: segundo o que hoje contamos no nosso CM, o antigo primeiro-ministro explicou que vive com 2 mil euros por mês, o que é uma verba alta para o nosso país, mas muito inferior aos salários que têm sido notícia por aí. Será que Aguiar-Branco vai qualificar esta declaração de rendimentos de Passos como um reality show da política?
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Por Carlos Rodrigues
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