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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"A desilusão que se segue a paixões intensas é das mais dolorosas"

15 de julho de 2026 às 00:32

A prova de que a governação dá ares de estar presa por arames é o facto de estarmos suspensos pelo que se passa num barracão pós-industrial em Mem Martins, onde as prateleiras que acumulam os exames do secundário gozam com o sonho digital do Estado, e numa piscina em Odemira.

A situação em que se deixou cair Luís Neves é bizarra. Qual a razão para o governante decidir dar explicações sobre a relação com o empreiteiro de Barcelos sem apresentar faturas nem documentos que encerrem o tema? O problema da piscina de Odemira confirma duas constantes deste Governo: a Administração Interna é mesmo uma pasta maldita para Luís Montenegro; e a relação dos seus governantes com empresas, obras e faturação é um caso de estudo.

O País precisa de saber que as obras não foram uma qualquer espécie de contrapartida, e que foram pagas a preço de mercado, sem favores.

É este essencial escrutínio jornalístico que faremos, aqui no Correio da Manhã, sem qualquer hesitação, como fazemos a todos os poderes. O leitor conhece-nos e conhece o nosso jornalismo independente. Doa a quem doer.

Luís Neves é um ministro de um tipo novo que veio de fora da política. Captou uma esperança especial dos portugueses. O risco maior deste caso é provocar um desencanto, também ele de tipo novo, com os políticos.

A desilusão que se segue a paixões intensas é das mais dolorosas.

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