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Luís Campos Ferreira

Luís Campos Ferreira

O número 10

24 de outubro de 2026 às 00:30

Estava junto à linha lateral, no papel de suplente. A anca balança para trás, depois para a frente. Inclina o tronco sobre uma perna, chega à ponta do pé. Repete o gesto do outro lado. Endireita-se. Arranca num sprint curto para soltar os músculos. O limite do campo está ali, a poucos passos. Vontade de jogar não falta. Falta é entrar. É o início da segunda parte e faz-se história: sai o número 10 e entra o 16, com a garra de quem tem uma oportunidade à sua frente e pouco tempo para a agarrar. Cumpriram-se, a 20 de outubro, cinquenta anos da estreia de Diego Armando Maradona na primeira divisão argentina. Tinha apenas 15 anos, quase 16, quando entrou pelo Argentinos Juniors diante do Talleres de Córdoba. O futebol começava a dar-lhe o palco onde construiria a sua carreira. Antes de se tornar inseparável do número 10, foi com o 16 nas costas que se apresentou. Foi quase o destino que tirou o número que haveria de fazer seu, para lhe dar lugar. Ao pensar em Maradona a aquecer, é difícil não ter como banda sonora “Live Is Life”, a música que ficaria associada aos seus aquecimentos, anos mais tarde. Mas regressemos àquela estreia. Ainda não havia uma carreira inteira a pesar sobre o nome, nem a distância que hoje nos permite olhar para um adolescente e reconhecer de imediato um dos maiores ícones do futebol. Havia um jovem a jogar entre adultos e uma partida por disputar. A derrota do Argentinos Juniors naquele jogo não impediu que o talento desse nas vistas. A imprensa reconheceu-lhe qualidade logo nessa primeira aparição. O resultado pertencia ao Talleres, mas a novidade pertencia a Maradona. Os golos chegariam pouco depois. A 14 de novembro de 1976, marcou os primeiros dois. Em fevereiro do ano seguinte, cerca de quatro meses após a estreia pelo clube, vestiu pela primeira vez a camisola da seleção principal argentina. Hoje, o estádio do Argentinos Juniors, em La Paternal, Buenos Aires, onde se estreou, tem o seu nome. O lugar que o recebeu guarda também a dimensão do que viria a ser. Aquele jovem tornarse-ia um dos maiores ícones do futebol e, para tantos outros, o sonho de um dia entrar em campo. Naquela tarde, coube-lhe o número 16. Depois, tantos quiseram ser o 10.

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Início da segunda parte: sai o número 10 e entra o 16. Fez-se história.

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