André Ventura
Líder do Chega e candidato à Presidência da RepúblicaA justiça dos vouchers
24 de outubro de 2016 às 00:30As polémicas do futebol português voltaram, esta semana, a marcar a atualidade noticiosa, com acusações mútuas entre os rivais da Segunda Circular.
No meio disto tudo, a interrogação de muitos: como é possível que as diligências efetuadas pela PJ no Estádio da Luz o sejam apenas mais de um ano depois da denúncia do caso? Antes de mais, a explicação básica: sendo uma importante questão desportiva, todos compreenderão que o Ministério Público tem, neste momento, casos bem mais graves entre mãos do que investigar alegadas oferendas ilegais aos agentes desportivos, nomeadamente quando a Liga demonstrou não dar significativa importância ao caso e os próprios denunciantes afirmaram, repetidamente, não estarem em causa atos de corrupção.
Poderemos, então, vir a ter um desfecho diferente dos processos que correm na justiça desportiva - nacional ou internacional - e na justiça criminal?
É um cenário que me parece extremamente difícil. Porque uma coisa seria as autoridades civis concluírem que, face às exigentes regras do processo criminal, não foi possível demonstrar qualquer ato criminoso face à legislação em vigor, entendendo a justiça desportiva, ainda assim, que foram violadas as regras desportivas relativas às oferendas atribuídas às equipas de arbitragem. Outra situação muito diferente, que me parece completamente inviável, seria todo o caso ser desvalorizado no âmbito da justiça desportiva - a menos que o Tribunal Arbitral venha, surpreendentemente, a revogar as decisões anteriores - e as autoridades criminais insistirem na prática de qualquer ilícito criminal, quando até os próprios denunciantes afastaram o cenário de corrupção desportiva.
Seja qual for o resultado final de todo este espetáculo, importante é que tudo fique claro como água. Todos os adeptos de futebol merecem, acima de tudo, transparência no desporto que amam e que os faz vibrar.
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A personalidade: Mariano Rajoy
O líder do PP espanhol conseguiu, finalmente, a abstenção do Partido Socialista para a viabilização do seu Governo, evitando o terceiro ato eleitoral consecutivo no país. É o fim do braço de ferro do qual Rajoy sai vitorioso por 2 razões: assegura a continuidade de um Governo marcado por vários escândalos de corrupção e decapita a liderança socialista.
Positivo: Comandos
A chocante morte de dois militares do 127º curso de Comandos determinou a abertura de um inquérito disciplinar. Um bom sinal para o apuramento da verdade.
Negativo: Polícias
As denúncias de deficiente coordenação entre a GNR e a PJ no caso da fuga de Pedro Dias deixam no ar uma série de dúvidas sobre a atuação das autoridades neste caso.
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