O primeiro-ministro quer dar xeque ao Banco Central Europeu (BCE) afastando o governador do Banco de Portugal. É uma jogada arriscada ao nível europeu, mas que pode render muitos votos ao nível interno.
Ficar conhecido como o governante que devolveu aos lesados do Grupo Espírito Santo (GES) as poupanças de uma vida é um trunfo que garante a maioria absoluta em qualquer calendário eleitoral.
Mais: é um troféu roubado nas barbas do Bloco de Esquerda, que utilizou a Comissão de Inquérito Parlamentar ao BES/GES como um verdadeiro elixir da juventude, revitalizando um partido que se desmoronava em lideranças bicéfalas e deserções para movimento s cívicos.
Depois de "resolver" o Banif, devolver o dinheiro aos lesados do BES seria um salvo-conduto para legitimar qualquer tipo de austeridade.
Este cenário só tem um grande e poderoso problema. Chama-se Mario Draghi. O presidente do BCE não pode abdicar de ter a última palavra quando se trata de supervisão bancária. Não pode tolerar pressões sobre o governador de um banco central. O rei não está em São Bento... está em Frankfurt!
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