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Esquerda pressiona mas governador fica

Líder do Bloco acusa o governador do BdP de ser voz do BCE.

28 de fevereiro de 2016 às 03:39

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, voltou ontem a pedir a demissão do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, dizendo que "não tem condições para continuar a exercer o cargo" e acusando-o de comportar-se como "a voz do Banco Central Europeu (BCE)". Mas, apesar das pressões de toda a esquerda, PS, PCP, BE, e indiretamente do Governo, Carlos Costa não se demite.

Em entrevista ao ‘Expresso’, o governador do Banco de Portugal diz que "não há nenhuma razão" para que não cumpra o seu mandato até ao fim. Sobre as críticas do primeiro-ministro, declarou: "Seria curioso que qualquer pequeno incidente determinasse uma perda de vontade de alcançar os objetivo". Com "pequeno incidente" o governador do Banco de Portugal referia-se "a uma falta de informação acerca de uma reunião que já estava agendada".

Sobre os alegados ataques à independência do Banco de Portugal, Carlos Costa recordou que o primeiro-ministro, António Costa, disse que "não estava em causa a independência do Banco de Portugal e, por isso, encerrou o problema".

Quanto aos lesados do papel comercial do BES, o governador defendeu que "têm todo o direito de ser ressarcidos pela massa falida", mas a única instituição com competência para resolver a situação é a CMVM e não o Banco de Portugal. Ou seja, Carlos Costa empurra mais uma vez a resolução do problema para o presidente da CMVM, Carlos Tavares.

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