A grande ironia do processo de impeachment em curso no Brasil escapa à maioria daqueles que choram a suspensão de Dilma Rousseff.
Por serem imunes à ironia, ou por nunca lhe terem sido formalmente apresentados, os defensores do Partido dos Trabalhadores (PT) e dos seus amados líderes tardam em reparar que elegeram o homem que substituiu Dilma, tal como muitos daqueles que na Câmara dos Representantes e no Senado votaram contra a presidente.
Eleito por quem agora o odeia, e acusa de ser o principal responsável pelo famoso ‘golpe’, Michel Temer começou mal. Apesar de ter convencido pesos -pesados a integrar o governo, incluindo Henrique Meirelles (Finanças) e José Serra (Negócios Estrangeiros), o até agora vice-presidente terá conseguido não encontrar uma única ministra na hora de substituir a primeira brasileira eleita chefe de Estado.
É mau sinal, pois não faltam políticas capazes entre a oposição ao PT, mas sendo o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) do presidente interino capaz de tudo para se manter no poder, é seguro parafrasear Winston Churchill: nada há a temer, tirando o próprio Temer.
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