Um eclipse total do Sol muito raro. É uma verdadeira experiência de vida. Escrevo no telemóvel, sentado no chão, numa montanha de Burgos, em Espanha. O eclipse que verei daqui a pouco é o eclipse da minha vida. Nunca vi nenhum. É o eclipse das nossas vidas. Como eu, muitos leitores nunca viram semelhante. Ou melhor: vimos eclipses parciais e um anular, o anel de fogo, que são semelhantes, mas não o espetáculo incrível de um eclipse total, quando o dia se faz noite. Vim a Burgos para ter todo o “Sol negro”. Aqui o disco do Sol vai estar em breve todo tapado pela Lua, ao contrário do que se passa na maior parte de Portugal. Os eventos astronómicos são das poucas coisas que podem ser anunciados sem falhas. Tenho a certeza absoluta de que vai haver sombra completa durante um minuto e quarenta segundos. O céu é absolutamente pontual. Ao contrário dos astrólogos, os astrónomos nunca falham as previsões.
Curiosamente, o último eclipse total em Espanha foi visto em Burgos, em 1905. Espanha vai ter sorte porque vai voltar a ter um eclipse total no sul em 2027 e outro anular em 2028. Todos eles vão ser pontuais, tão pontuais como este. Em Portugal, só haverá outro eclipse total em 2144. Tão pontual como os outros, ainda que eu não esteja a contar vê-lo. Sou, somos, pequenos na imensidão do tempo.
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