Faz-se anunciar com estridência, como quem diz aos mais lentos para saírem da frente, ou apenas para chamar a atenção. Meio segundo depois passa pela janela, a solo, tal como poderia estar integrado num bando, deixando um rasto de verde enquanto se afasta no céu.
Há anos que os ‘Psittacula krameri’ começaram a viver nas cidades portuguesas, coabitando com espécies autóctones e menos coloridas. E apesar de os ornitólogos lhes chamarem periquito-de-colar, o voo rasante desses pássaros cria um dilema: pequenos para papagaios e grandes para periquitos, são uma versão com plumagem do copo meio cheio ou meio vazio.
Chamar-lhes papagaios em vez de periquitos pode soar a excesso de otimismo, mas reflete a opinião de que os recém-chegados vieram melhorar a paisagem. Sem que a sua introdução tenha até agora afetado as outras aves que já voavam no céu de Portugal, embora exista a preocupação do impacto do apetite feroz dos periquitos-de-colar na produção de fruta se estes continuarem a multiplicar-se.
Como que a lembrar que a vontade de acolher quem chega, enriquecendo-nos com a sua presença, não é incompatível com a necessidade de estar alerta.
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