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F. Falcão-Machado

F. Falcão-Machado

Embaixador

Catalunya

29 de dezembro de 2017 às 00:30

Tal como previsto, e apesar da elevada afluência às urnas, as eleições na Catalunha não foram conclusivas. Aparentemente, apenas produziram dois efeitos: a sociedade catalã vai continuar muito dividida e os dois mais importantes partidos de Espanha, o PP e o PSOE, terão de enfrentar uma concorrência crescente de outras formações políticas.

Revelou-se porém ainda uma outra originalidade: embora teoricamente estas eleições fossem apenas para eleger os deputados do parlamento regional, os resultados têm sido tratados como os de um referendo à independência da Catalunha. Ter-se-á assim contornado algo que é proibido pela legislação espanhola?

O futuro não vai ser fácil para ninguém. Na Catalunha seguir-se-á um conflito de ‘baixa intensidade’ entre os partidários da integração na Espanha e os soberanistas. Tal conflito poderia ser superado por umas novas eleições gerais em Espanha o que, todavia, parece não entusiasmar particularmente o atual governo central.

O uso sistemático dos procedimentos democráticos com vista a solucionar, sem grandes debates, questões fundamentais do Estado espanhol tanto podem inquietar as autoridades de Madrid como a própria Coroa.

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