O relatório que o Tribunal de Contas (TdC) divulgou esta semana denuncia graves lacunas de informação, desconhecimento e desleixo do governo de Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque, em grosseira violação do Regime Jurídico que devia reger a relação entre o Estado e as suas empresas, segundo princípios de boa gestão, transparência e controlo das finanças públicas, consagrados em Decreto-Lei publicado pelo mesmo governo em 2013.
Dois anos depois, o TdC conclui que "o controlo instituído pelo Ministério das Finanças não é eficaz em todo o universo do setor empresarial do Estado", e revela que há "escassa ou quase nula informação" sobre duas empresas participadas pelo Estado em Macau, jurisdição especializada na ‘lavagem’ dos proventos do jogo...
A falta de controlo das contas da Caixa Geral de Depósitos roça o descontrolo deliberado: ninguém esquece que Passos Coelho queria privatizar o banco público! Significativamente, o seu Governo não pediu qualquer inspeção às Finanças, muito embora existissem imparidades no valor de 1500 milhões de euros e operações de risco ascendessem a 4500 milhões!
Este relatório saiu no dia em que Passos Coelho voltou à carga na obsessão de enterrar a Caixa Geral de Depósitos, não deixando – país e Caixa – respirarem (com a nomeação de Paulo Macedo e Rui Vilar) da desastrosa gestão do caso Domingues pelo atual governo. Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque foram obrigados a... chutar para canto. Como os heróis da bola envolvidos no Football Leaks, especialistas em chutar para canto quando convém.
Tantos sacrifícios impostos aos portugueses, por uns fugirem aos impostos e outros não cuidarem do dinheiro dos contribuintes... Cabe-nos a todos não deixar mais chutar para canto responsabilidades que têm de ser apuradas e punidas.
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