Rui Moreira
Presidente da Câmara Municipal do PortoHá cerca de 20 anos, alguém chamou ‘geração rasca’ aos estudantes que se encontravam no ensino secundário. Por muito que se procure encontrar naquele contexto os argumentos para que a expressão tivesse sido usada, estavam esses jovens desafiados a demonstrar que a mesma era desadequada.
Ora, o que vejo hoje acontecer no Porto, com o aparecimento de cada vez mais start-ups (já é a primeira cidade do país nesse aspeto) e com a consolidação de projetos de investimento e inovação cada vez mais sólidos, demonstra que essa juventude passou de ‘rasca’ a geradora de soluções e ideias disruptivas.
Tal deve-se, seguramente, também ao espírito empreendedor que existe no Porto, onde o ADN social sempre foi o de fazer acontecer. Claramente, também existe nestas novas gerações de empresários a capacidade para encontrarem oportunidades onde aparentemente só há dificuldades. A contração do mercado de trabalho qualificado foi prejudicial a esta geração, mas aguçou o engenho na procura da criação de autoemprego.
E também levou a alguma emigração, é certo. Mas também essa, como então escrevi, representa uma oportunidade. Muitos desses jovens emigrantes qualificados regressam agora, trazendo experiências, mais conhecimento, mais mundo. E isso é fundamental para adensar a massa crítica do país e melhorar a capacidade para entender o mercado global. Há ainda outras razões para o sucesso que começamos a perceber nos muitos projetos tecnológicos que vão inundando a Baixa do Porto. Uma das mais evidentes é a qualidade do sistema de ensino, que, no Porto, tem muito a ver com a excelência da Academia, em geral, e da Universidade do Porto, em particular. E também, claro, dos níveis básico e secundário.
O espírito empreendedor, o conhecimento e a capacitação terão sido, por isso, os ingredientes primários para a nova geração de empreendedores que só passa despercebida a quem a não quer ver. O caldo de cultura, esse, está a ser encontrado no Porto. Cidade liberal, burguesa e vibrante, que os acolhe.
Esta geração, que há duas décadas era mal apelidada, afinal, nada tem de "rasca" e nem sequer é apenas de "desenrasca". É uma geração à Porto, vinda não importa de onde, que reabilita e habita prédios na Baixa e que gosta do que vê da janela numa cidade que, de novo, respira.
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Alternativas: Ciclo de reflexões - Um Objeto e Seus Discursos
O Cinema Batalha será, no próximo sábado, o ponto de partida para a quarta série de ‘Um Objeto e Seus Discursos por Semana’, ciclo de reflexões organizado pela Câmara Municipal do Porto em torno do património material e imaterial da cidade. As conversas acontecem todos os sábados, sempre às 18 horas, apresentando 31 sessões e 93 convidados até ao dia 2 de dezembro. Tal como nas suas anteriores edições, a iniciativa vai percorrer os mais diversos inusitados espaços do Porto, entrando em museus, bibliotecas, quintas, palacetes, hotéis e hospitais, mas também em cemitérios, torres, sinagogas e até num farol. Os mais de 90 convidados, de todos os quadrantes sociais, políticos e áreas do saber, ajudarão a debater e a descobrir as histórias por detrás de cada objeto apresentado na reflexão.
O meu Facebook: Página com mais ‘gostos’ entre políticos - Mais de 130 mil likes
Segundo o que uma revista e um semanário revelaram na semana passada, a minha página é a que mais ‘gostos’ tem entre as de políticos portugueses, tendo ultrapassado os 130 mil likes. O alcance das publicações chega a ultrapassar mais de um milhão e meio por semana. Devo dizer que não gasto um cêntimo em publicações patrocinadas no meu Facebook, que, no dia das eleições, tinha pouco mais de 17 mil seguidores. Este sucesso deve ser lido com os devidos cuidados e a cidadania não se pode esgotar em cliques. Tem que ir mais além e passar do virtual ao real. Passar do comentário digital para o presencial e passar para as urnas, quando há eleições. Ou seja, o Facebook não pode servir só para nos limpar a consciência cívica.
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Quem terá pagado a filmagem e montagem do vídeo? Obviamente, os nossos impostos.
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Eli Sharabi tem a força de quem conta o que aconteceu porque precisa de contar. Não moraliza. O haver livro é a lição moral.
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