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Miguel Alexandre Ganhão

Miguel Alexandre Ganhão

Subchefe de Redação

Corno manso e gado bravo

31 de dezembro de 2016 às 01:45

Será quase inevitável que na próxima reunião da Concertação Social, quando os parceiros começarem a chegar à rua João Bastos, em Belém, alguém largue a piada: "Lá vai a manada para o redil!" Tudo devido ao ministro dos Negócios Estrangeiros, que comparou aqueles encontros a uma feira de gado.

Augusto Santos Silva, apanhado na chalaça com Vieira da Silva, o colega de Governo que mais vezes se senta à mesa da Concertação, veio explicar aquela comparação de forma hilariante.

Invocou a honra dos velhos lavradores que fecham o negócio com um aperto de mão, imagem tantas vezes retratada nas obras de Eça de Queiroz ou Alves Redol, tentando pôr um pouco de dignidade naquilo que era sua verdadeira intenção dizer: comparar a Concertação a um leilão onde cada um reivindica mais e mais e o Governo diz ‘vendido’.

Tem graça que neste eufemismo rural só alguns ‘patrões’ tenham acusado o toque. Pelos vistos, na Confederação da Indústria Portuguesa e na Confederação do Comércio e Serviços existe gado bravo. Pena é que do lado sindical, tanto na UGT quanto na CGTP, o que parece perdurar é o corno manso.

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